|
Dia 20 de Abril - Prisão de Angra promove seminário multicultural
Sexta-feira, 04.13.2007, 10:25am (GMT-1)
O Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo vai promover um seminário no próximo dia 20 de Abril subordinado à multiculturalidade. Atenuar a discriminação sobre a população reclusa e aproximar a comunidade é um dos principais objectivos desta iniciativa.
Humberta Augusto
“Ao contrário do que se pensa, a comunidade reclusa não é uma comunidade dentro de outra, ela faz parte da comunidade integral” – quem o afirma é o director do Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo, Alexandre Bettencourt. É com este pressuposto que a instituição vai promover um seminário que quer atenuar a discriminação sobre a população prisional e abordar a multiculturalidade.
“Sociedade Multicultural – As Nossas Culturas” é o título do encontro que o Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo organiza no próximo dia 20 de Abril. A iniciativa contar com a presença de diversas personalidade e entidades, entre elas, a direcção regional das Comunidades, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Consulado de Cabo Verde, Gabinete Medico-Legal, instituição de acolhimento “Abrigo Amigo”, direcção regional da Saúde.
Os reclusos vão poder assistir a estas palestras e assistir não só ao testemunho de vários intervenientes, como a diferentes temáticas que serão explanadas e que aos reclusos dizem respeito, como os “Mecanismos que existem para a recepção das comunidades prisionais”, “As novas formas de legalização de estrangeiros”, “Os mecanismos de apoio a estrangeiros na área da Saúde”, entre outros, explicou o responsável.
Combater discriminações
O director da cadeia de Angra explica que esta iniciativa cumpre dupla função no objectivo de retirar estigma ao universo prisional. “Queremos combater dois tipo de descriminação: a discriminação sobre a população reclusa e a discriminação sobre as diferentes raças”, disse Alexandre Bettencourt. Isto porque na prisão, esclarece, “são diferentes as etnias, a nacionalidade e as religiões dos reclusos”. Em última análise, pretende-se “evitar o ostracismo”.
A presente iniciativa, adianta, insere-se “num esforço de renovação e dinamização. Um esforço, que recorda, tem sido efectuado ao longo do tempo, tendo o Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo já efectuado semelhante acção de informação e sensibilização no curso deste ano, subordinado ao tema da SIDA. O seminário “Sociedade Multicultural – As Nossas Culturas” tem início pelas 15H30 no estabelecimento prisional angrense.
Sobrelotação contínua
Neste momento, o Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo mantém-se numa situação de sobrelotação de reclusos ao possuir cerca de 90 prisioneiros para uma infra-estrutura com capacidade para 35 pessoas, detendo somente 25 celas.
Neste estabelecimento, informou o responsável, a pena máxima que é cumprida é de 4 a 5 anos. Em termos de tipologia, no topo das penas a cumprir neste momento estão os pequenos furtos, a condução ilegal, que é responsável por um terço dos reclusos, seguindo-se o tráfico de estupefacientes e os crimes pessoais, onde as ofensas corporais e o abuso sexual são os principais motivos para o encarceramento.
Cadeia com Função à moda antiga
Este ano, o Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo vai voltar a reeditar uma tradição única no país. A realização de uma Função à moda antiga no interior da cadeia de Angra está marcada para o dia 21 de Abril. O director do estabelecimento, Alexandre Bettencourt, explica que vão realizar esta tradição “o mais tradicionalmente possível”, recriando simbolismos associados a este evento. Para tal, conta, vão contar com a colaboração da historiadora Antonieta Costa.
“Os reclusos vão coroar e vamos ter foliões à moda antiga”, especifica o responsável. Alexandre Bettencourt conta que este é um hábito “que existe no estabelecimento há mais de 20 anos por altura do Espírito Santo”, existindo, adiantou, registos fotográficos destes cerimoniais. Esta Função, acresce, conta com a colaboração de uma visitante do estabelecimento: Fernanda Evangelho, da Obra Vicentina, com a oferta do bezerro para a Função.
|