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VOOS E TARIFAS ÚNICAS PARA A DIÁSPORA - Emigrantes escrevem à Câmara do Comércio


Quarta-feira, 04.18.2007, 06:58pm (GMT-1)

Têm dado que falar no espectro político-partidário insular e têm colocado grandes dificuldades aos emigrantes açorianos radicados nos Estados Unidos da América e Canadá para se deslocar aos Açores.

Pedro Ferreira

A temática que se prende com as passagens e tarifas únicas para os açorianos da diáspora chega agora à secretária do presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), Sandro Paim.
Em causa, estão algumas missivas que o agora também, por acumulação de funções, presidente da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores tem recebido de emigrantes em terras do “Tio Sam”.
Manuel Faria, advogado na Califórnia, que está representando alguns emigrantes ilhéus, endereçou uma carta à CCAH para dar conhecimento do que está a suceder com dezenas de pessoas que queriam visitar os Açores, durante os próximos meses, mas que estão “indignados” com “desculpas negligentes” que têm ouvido, por parte de entidades com competência na matéria.

Advogando que a missiva seguiu para a representação dos empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, em virtude desta entidade “estar a par de algumas das dificuldades que os emigrantes açorianos estão a passar”, mas, essencialmente, porque “a Câmara está tentando rectificar este problema anual”, Manuel Faria afirma que “o que estão a conseguir é que hajam muitas pessoas que não queiram saber de ir mais aos Açores”.
“É rara a semana que não falo com clientes emigrados e, normalmente, por esta época, falamos em visitar os Açores. Infelizmente, este ano, mais do que nos anos anteriores, o tema da conversa são as dificuldades que estes conterrâneos têm em conseguir passagem para ir aí”, lê-se na carta.
“Entra a minha família e amigos fazíamos um grupo que passava duas dúzias de pessoas. Alguns iam visitar o arquipélago pela primeira vez. Após tantas promessas e sem concretizarem as passagens, decidiram mudar de planos e irem para outros lados em férias. Estou convicto que a única conclusão lógica é que estes não vão querer visitar os Açores no futuro”, acrescenta o advogado.

Por outro lado, à CCAH chegou uma outra carta, desta feita assinada por José Mendonça, emigrante terceirense radicado em Bristol há 38 anos, onde se alerta para “a descriminação da SATA (Azores Express) para com os terceirenses”, uma vez que aumentou em 100 dólares as passagens para a ilha Terceira, “mantendo os preços para São Miguel”.

Empresários
prejudicados

A Câmara do Comércio, por seu turno, está ao lado dos açorianos além fronteiras. Em comunicado entregue na nossa redacção, a representação dos empresários refere que “ao longo dos últimos anos tem desenvolvido várias acções, com o objectivo de alertar para a problemática existente, particularmente, na ilha Terceira, no que diz respeito ao baixo fluxo de turistas originado pelas más e pouco frequentes ligações aéreas com o exterior”.
Considerando que os empresários estão prejudicados com tal facto, a presidência de Sandro Paim salienta, também, que “existem dezenas de emigrantes nos EUA que não conseguem visitar a sua Terra Natal, devido à falta de lugares disponíveis nos voos” (de Oakland para a Terceira já não existem lugares disponíveis de Junho a Agosto).

Indignação
compreensível

Para a CCAH é perfeitamente compreensível a “indignação” dos emigrantes “face à falta de interesse que as transportadoras demonstram por este mercado”.
“Em nosso entender as entidades responsáveis pela promoção do destino Açores, bem como a transportadora aérea SATA estão a cometer um erro estratégico – a fraca aposta no mercado dos Estados Unidos da América. O mercado dos EUA está pouco explorado e desta forma não será possível potenciá-lo. Não conseguimos atrair turistas dos EUA para o Grupo Central porque só existem ligações directas no Verão e quando se iniciam os lugares ficam rapidamente preenchidos”, advoga a Câmara de Comércio de Angra.
“É urgente que algo seja feito”, apela a representação dos empresários, acrescentando que “para colmatar estes constrangimentos é necessário que, já este ano, se efectuem voos extraordinários para garantir a vindo dos nossos emigrantes, bem como estudar a possibilidade de durante todo o ano um dos dois voos de Boston que, actualmente, voam directamente para São Miguel efectue a ligação directa para a ilha Terceira”.