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Especulação financeira vai despoletar a próxima crise económica


Quarta-feira, 02.20.2008, 11:41am (GMT-1)

Quem o diz é o economista Cabral Vieira, em exclusivo a este jornal. Os investidores prevêem mais quatro crises até 2020, segundo estudo da consultora Watson Wyatt.

Os mercados financeiros mundiais vivem tempos conturbados. Tão depressa valorizam, como logo a seguir registam perdas pronunciadas.

Tudo por causa dos problemas que se iniciaram no mercado de crédito de alto risco nos Estados Unidos e que rapidamente se alastraram a todo o sistema financeiro mundial, colocando a maior economia do mundo à beira de uma recessão e dando origem à segunda crise financeira da década, depois do fim da "bolha" tecnológica.

Mas a turbulência nos mercados não deverá ficar por aqui. A maioria dos investidores mundiais está a antecipar mais três ou quatro crises financeiras para os próximos 12 anos, segundo um estudo da consultora Watson Wyatt. Depois do "subprime", os investidores afirmam que a próxima crise deverá ocorrer por um excessivo recurso à dívida nos investimentos.

Mas o economista e professor universitário Cabral Vieira descarta o endividamento excessivo nos investimentos como a principal razão para a próxima crise: “Essa pode, eventualmente, ser uma das razões, mas penso que a principal razão será a especulação financeira”, referiu, em exclusivo a este jornal. E sustenta: “Os investidores na procura de alguns ganhos poderão apostar em demasia, perdendo alguma da sua riqueza. A dívida excessiva no investimento relaciona-se com as empresas e creio que está minimamente controlada pelo sistema bancário internacional.”

O economista concorda quanto aos ciclos das crises: “É normal que estas crises aconteçam de quatro em quatro anos.” Mas acrescenta: “Podem é não ter grande intensidade.” “E não acredito que as proporções das próximas crises sejam muito grandes, tal como as últimas não foram”, remata.