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TRINTA ANOS DE VIDA - "A Ginginha" apaga as velas no próximo sábado


Quinta-feira, 02.21.2008, 01:29pm (GMT-1)

No próximo sábado, dia 23 de Fevereiro, um dos mais emblemáticos cafés de Angra do Heroísmo comemora três décadas de actividade. Situada na Rua Direita, junto ao Jardim de Angra, “A Ginginha” é ponto obrigatório de paragem para os apreciadores desta bebida, passageiros da urbana que esperam pela camioneta na estação vizinha ou visitantes do jardim.

O seu proprietário, Manuel Liberato dos Santos, mais conhecido por Manuel da Ginginha, arrendou o espaço em 1978, inicialmente como uma loja de fotografias –a “Foto Angra”. Como esse negócio não estava a ser rentável, Manuel dos Santos desfez a sociedade que tinha e decidiu abrir uma pastelaria no mesmo espaço.

Faltava o nome para o estabelecimento e a resposta estava na própria casa do proprietário:

“ Tinha uma grande garrafa de ginginha em casa e ouvia falar muito na “Ginginha” de Lisboa e um dia, ao almoço, surgiu-me a ideia de dar o nome à pastelaria de “A Ginginha” e assim ficou, até hoje”, relembra o dono. Quanto à garrafa, “foi destruída no terramoto de 1980”.

No início, a venda de ginginha foi um grande sucesso, especialmente “nas pessoas da minha idade com 40, 45 anos, vendia-se muito”. Nessa altura o preço de um copo não chegava a 1 escudo, contra o 1 Euro que custa nos dias de hoje, em que são os turistas os maiores consumidores da bebida.

“As pessoas do Continente que aqui passam e vem o anúncio da ginginha na entrada param muito, às vezes famílias inteiras vem aqui para provar a ginginha. De resto, a malta nova daqui, uns gostam outros não, mas hoje já não vendo tanta ginginha como antigamente”.

Hoje a preferência vai para a cerveja: “mas só uma ou duas já que as pessoas têm medo do balão”, diz Manuel dos Santos. Os gelados e as pipocas são outros artigos que têm muita saída, acrescenta o proprietário. Outra mais valia do café é a sua localização junto a uma paragem de autocarro, que traz muitos passareiros ao estabelecimento.

Apesar de se não queixar da sua situação, o comerciante considera que se está a viver um período de crise generalizada. “Se eu visse o meu café vazio e o do vizinho cheio, podia perguntar-me se algo estava mal aqui, mas a situação é igual em todo o lado, temos que saber arranjar clientela nova e depois com o medo do balão e agora com o tabaco, vamos perdendo clientes”.

No entanto, Manuel “da Ginginha” considera que, nestes últimos 30 anos, Angra do Heroísmo, e a Terceira em geral, tiveram um grande crescimento, em especial devido à diminuição do fluxo migratório e ao período pós terramoto.

“ Existe muito comércio porque as pessoas já não querem ir para a América, preferem ficar na sua terra”, analisa o comerciante. “Depois do sismo então, com os fundos comunitários que houve, evoluiu muito, só não faz quem não quiser, mas para se conseguir alguma coisa é preciso trabalhar”.

O sismo de 1980 também deixou marcas profundas na “A Ginginha”. O café ficou praticamente destruído, mas imediatamente Manuel dos Santos pôs mãos à obra para avançar com a sua reconstrução.

“As pessoas chamavam-me doido por querer refazer o café, mas comprei isto ao dono e pedi dinheiro ao banco para começar as obras. Quando chegaram os apoios oficiais já eu tinha a placa feita”, recorda o dono da Ginginha, que consegui ter o estabelecimento novamente a funcionar ainda durante o ano de 80.

Uma vida no comércio

Manuel dos Santos, perto de completar 70 anos, dedicou a maior parte da sua vida ao comércio. Começou como empregado numa loja de frutas e hortaliças na Guarita, tendo depois subido a sócio e finalmente tomando conta do negócios. Ao longo do tempo foi abrindo outras lojas do ramo em diferentes pontos de Angra do Heroísmo, tendo mais tarde investido também em cafés.

“Uns davam outros não, mas não tinha problema quando um negócio não resultava de fechar e avançar para outro”.

Já depois de ter a “A Ginginha” abriu o café Tangerina no Alto das Covas e o Caravela no Corpo Santo. “Cheguei a ter os três cafés a funcionar, mas não podemos estar em todo o lado e deixei os outros”. Actualmente além do café gere também um restaurante perto do local da “A Ginginha”.

Como balanço, Manuel dos Santos olha para trás e vê uma vida de trabalho mas que lhe trouxe uma vida boa, “vamos vivendo aqui no nosso canto e está bom”.

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