|
Falta modelo adequado à condição feminina
Quarta-feira, 05.07.2008, 12:07pm (GMT-1)
Quem o disse foi Berta Cabral no colóquio “A Mulher e o Trabalho/Women and Work”: Europa, Portugal, Açores e Comunidade”, iniciativa da Universidade dos Açores com a parceria da UMAR-Açores.
“Falta um modelo adequado à condição feminina”, afirmou Berta Cabral, convidada, como dirigente política e gestora, a falar no âmbito do painel relativo ao sector económico e financeiro, no Colóquio “A Mulher e o Trabalho/Women and Work”: Europa, Portugal, Açores e Comunidade”.
Berta Cabral advertiu que, em Portugal, há cada vez mais mulheres no mercado de trabalho, com qualificação, mas, que, o poder político e económico, não reflecte essa realidade, nos lugares de topo.
Para a responsável esta falta de correspondência “entre o saber fazer e o poder fazer” da mulher reside “num só mal: a falta de um modelo adequado à condição feminina”, pois, “a igualdade jurídica tem de ser acompanhada de fortes medidas e práticas sociais”, nomeadamente, no que refere à conciliação da vida profissional com a vida pessoal.
Berta Cabral identificou três evidências na realidade portuguesa que ainda limitam a igualdade entre homens e mulheres no trabalho. O primeiro, já referido, a discrepância entre o número de mulheres qualificadas e os lugares de topo por si ocupados; a persistência da discriminação baseada no género, com mulheres e homens, a auferirem rendimentos diferentes, no mesmo trabalho; e o facto da mulher participar pouco na vida política e noutros sectores como a área económica e financeira.
Baseando-se nos estudos e estatísticas sobre a posição da mulher portuguesa no mercado de trabalho, denunciou que o trabalho precário atinge mais o género feminino, apontando o paradoxo da taxa de actividade feminina ser das mais elevadas da Europa, mas, a mulher portuguesa continua, socialmente, mais desfavorecida.
Por isso, advogou que “se em Portugal o desafio passa por uma verdadeira e completa igualdade, é também necessário que olhemos para uma segunda geração de políticas empresariais que apoiem e estimulem a ambição e as necessidades profissionais e familiares dos novos quadros femininos”.
Berta Cabral congratulou-se pelo facto do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) prever algumas medidas para inverter esta situação, com medidas destinadas sobretudo à área empresarial e social de apoio à iniciativa das mulheres. Mas, deixou no ar a expectativa ao afirmar que “veremos como no terreno se vão concretizar”.
|