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A Festa: Sinais positivos apesar dos ventos contrários


Segunda-feira, 05.25.2009, 02:33pm (GMT-1)

No meio da crise global, há sinais visíveis de que as pessoas continuam a acreditar que a esperança não morreu. A vida segue adiante, uns dias melhores, outros piores.

Neste mês de Maio próximo do fim, contam-se já os dias em falta para o início das Sanjoaninas: a música, os desfiles e cortejos, os jogos, as marchas, a Feira Taurina. Ao mesmo tempo, comentam-se os incidentes das duas dezenas de touradas à corda enquanto, no salão João Borba, sede da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, é “casa cheia” todos os dias para seguir no ecrã as faenas da Feira de San Isidro.

Parece absolutamente tranquilo o percurso da Festa dos Toiros mas as coisas não são bem o que à primeira vista se nota. Os ataques à cultura taurina mantêm-se, intensificam-se nalguns casos, apresentam-se ridículos em muitos outros.

Atentos aos ataques continuados, os taurinos, como cidadãos de pleno direito e como amantes da Festa, representados pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Tertúlia Tauromáquica Praiense, Ganadarias de Casa Agrícola José Albino Fernandes, Rego Botelho , Irmãos Toste - filiadas na Associação Portuguesa de Toiros de lide -, Sociedade Tauromáquica Progresso Terceirense, Comissão de Tauromaquia das Sanjoaininas 2009, Comissão de Tauromaquia das Festas da Praia 2009, Mário Miguel - primeiro Matador de Toiros Açoriano -, Bandarilheiros Profissionais dos Açores, Grupo de Forcados Amadores da T.T.T., Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande e Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, deram a conhecer aos Media o comunicado onde afirmam a tristeza e a revolta perante as situações que levaram ao chumbo do diploma regional para a legalização da Sorte de Varas nas Praças de Toiros dos Açores.

Um pouco por toda a parte, os aficionados à Festa dos Toiros, por norma indiferentes às ofensivas, começam a perceber que é tempo de vir a terreiro defender ideais e convicções.

Na defesa dos direitos dos taurinos, reveste-se de bom significado o editorial da revista “Ruedo Ibérico”, edição especial sobre a temporada de 2008. Com a devida vénia, aqui se transcreve parte do editorial de Pedro Pinto, director da revista:

“...nós saímos com este especial na Páscoa, à antiga e com energias renovadas! Energias para combater aquela peste, que cada vez mais se espalha e que agora se tornou moda: ser “anti-taurino”. É normal, somos um país de modas. É moda dizer que estamos em crise, é moda dizer “coitadinho deste e daquele”, é moda andarmos no “diz que disse”, é moda ser homossexual, como também é moda ser-se “anti-taurino”. “Eu? Touradas? Coitadinhos dos animais...” comentam uns com outros, enquanto se enfartam com um belo bife da vazia!

Atenção, porque Portugal está cheio de “Defensores Mouras”, “Mesquitas Machados” ou “Antónios Capuchos”, que teimam em não reconhecer a tauromaquia como esplendor máximo da cultura e numa atitude de clara prepotência, não autorizam os respectivos espectáculos taurinos, felizmente que ainda existem alguns, que têm valor para apoiar os toiros, como são os casos dos presidentes de Câmara de Vila Franca, Moita, Coruche, Azambuja, Barrancos, Alandroal, entre outros; mas o nosso país está cheio de políticos que têm medo de se apresentar numa praça de toiros.

Sim, porque somos um país de gente séria, onde é normal os presidentes de clubes visitarem casas de árbitros, antes dos jogos; é normal haver um caso Freeport, onde está toda uma família envolvida, mas todos são inocentes, da mesma maneira que é normal os meninos da Casa Pia estarem a inventar histórias sobre pedofilia ou os ladrões serem apanhados, presentes a tribunal e rapidamente libertados, pois coitadinhos, entraram na casa das pessoas, mas não foi por mal; é tudo normal em Portugal, porque somos um país de gente séria!

Na tauromaquia vêm chatear-nos para as portas de algumas das nossas praças, insultando-nos e nós, sempre com aquela forma pacífica, aguentamos e rimo-nos; mas, caros amigos, isto não está para rir. Eles querem mesmo destruir a festa dos toiros e mais do que nunca temos que nos unir e “tocar os sinos a rebate!”...”

O comunicado, dado a conhecer aos Media por Arlindo Teles na passada quarta-feira, foi subscrito por 11 entidades terceirenses e, tal como o editorial de “Ruedo Ibérico”, funciona como voto de protesto, manifestação de incontida revolta e alerta para a luta necessária pelos ideais e valores da tauromaquia, sempre de forma transparente e sem atitudes coercivas.

O comunicado manifesta ainda o “profundo agradecimento e respeito por todos os senhores deputados que votaram a favor das nossas pretensões” e, noutra passagem, afirma que “esse sentimento de revolta tão significativa na Terceira é facilmente demonstrado pelo facto de todos os deputados eleitos pela ilha terem votado favoravelmente a Sorte de Varas. Interessante referir também que os deputados da ilha Graciosa tiveram o mesmo comportamento em bloco.”

Para os aficionados à Festa dos Toiros está na hora de tocar a reunir e pugnar pelo que nos une a todo o mundo taurino.