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RESPEITO PELA ARQUITECTURA - Obras de remodelação na Matriz de S. Sebastião
Sexta-feira, 04.06.2007, 11:49am (GMT-1)
A imitação de talha dourada foi retirada recentemente do altar da Matriz de S. Sebastião.
Na sequência das recentes obras de recuperação da cobertura desta igreja da Vila de S. Sebastião e, de acordo com a Direcção Regional da Cultura e Diocese de Angra, foi retirada toda a madeira, pintada com purpurina, “por não se coadunar com a arquitectura do templo” e optou-se pela utilização das peanhas em “pedra branca” – que tinham sido retiradas, à revelia do organismos oficiais que tutelam os monumentos classificados.
A introdução da imitação de talha dourada na igreja gerou alguma polémica, agora com o regresso das capelas à traça anterior, o Conselho Administrativo da Paróquia espera que a “harmonia” volte ao seio da comunidade. A beleza arquitectónica desta Matriz é apreciada e visitada anualmente por centenas de turistas. Recentemente, devido a infiltrações que prejudicavam a conservação dos frescos tardo-medievais da Matriz, foram realizadas obras, ao nível da cobertura, com o apoio do governo regional. Segundo Jacinto Bento, pároco da Vila, o Passal daquela vila foi também alvo de obras de conservação, no valor de 11 mil euros.
Conservação dos frescos
Os trabalhos de conservação dos frescos tardo-medievais desta igreja, a cargo da Direcção Regional da Cultura (DRC), ainda estão a decorrer. Destinada promover o tratamento preventivo e a conservação das pinturas existentes, esta intervenção compreende o registo fotográfico, a limpeza mecânica e a remoção de argamassas e ou vestígios que existam sobre a superfície pictórica. Os trabalhos no templo da vila incluem, ainda, a desinfecção de fungos e algas, após ensaios e selecção de produtos biocidas.
A cargo dos técnicos da Direcção de Serviços dos Bens Patrimoniais e Acção Cultural, os trabalhos foram precedidos por uma análise do estado de conservação e orientação científica quanto à intervenção, efectuada pelo Instituto Português do Património - IPPAR, entidade que, a convite da DRC, deslocou à região um especialista na área de pintura mural. Na sequência destes trabalhos, procedeu-se a obras de reparação das coberturas que contaram com o apoio da Presidência do Governo dos Açores, também através da Direcção Regional da Cultura, no montante de 80.266 euros.
No âmbito da documentação daquele bem, foi apoiada uma candidatura no valor de 2.800 euros, apresentada por Luís Urbano Afonso, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, destinada ao estudo iconográfico dos frescos. Este especialista realça, a propósito, que as “pinturas em causa possuem características plásticas que as situam dentro de uma tipologia Manuelina, de feições tardo-góticas, pelo que a sua datação deverá situar-se dentro do primeiro terço do século XVI”.
O professor universitário sublinha que do ponto de vista técnico os frescos são “um exemplo pouco comum de entre a pintura mural da mesma época existente no continente”. Os frescos de S. Sebastião, que apresentam alguns santos protectores tratados isoladamente, e, também, painéis onde se identificam vários passos da Paixão de Cristo serão objecto de uma publicação monográfica ainda este ano, sob a chancela da Direcção Regional da Cultura.
A nave central da Epístola, uma grande pintura mural em fresco, que estava muito danificada pela acção do tempo e da humidade, é constituída por cinco painéis. O primeiro representa São Martinho; o segundo Santa Bárbara; o terceiro, a aparição de Jesus a Madalena, único em que se lê ainda a legenda: Dyse Xpõ a Madalena melhor nõ me toques; o quarto de São Sebastião; e, finalmente, o quinto em que se vêem S. Joaquim e Sant'Ana.
Valor histórico
“Por volta de 1935, quando a trabalhos procedia, o Vigário Joaquim Esteves apercebeu-se das pinturas a fresco que decoravam as paredes e grossas camadas de cal tapavam” – referem documentos históricos. A denunciada importância do monumento determinou a sua classificação como imóvel de interesse público (decreto nº 38.147, de 05JAN1951) e, na ocasião, as entidades competentes interessaram-se pelo seu restauro e integração, adivinhando-se para o efeito quão eficiente e qualificada teria sido a intervenção do Director do Museu de Angra”.
A importância dos frescos foi amplamente relatada no Boletim nº 117, da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, de Setembro de 1964, dedicado inteiramente a este templo terceirense.
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