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NA ILHA TERCEIRA - Dia do Agricultor em tempo de vacas magras
Quarta-feira, 11.19.2008, 01:07pm (GMT-1)
A Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT) considera que a lavoura terceirense está a atravessar o pior momento dos últimos anos.
Segundo o presidente, no sector da carne o cenário é desolador porque existe excesso de animais para abate. “Há cerca de três centenas de animais a mais nas explorações e o preço não vai além dos 75 cêntimos por quilograma na exportação em vivo, e 2,5 euros na exportação em carcaça”, revelou, alegando que o preço dos factores de produção dispararam no último semestre e que os preços do leite e da carne não acompanharam as subidas.
O excesso de novilhos para abate na ilha, segundo o dirigente, deve-se ao facto de “a empresa responsável pela sala de abate no matadouro da Terceira ter reduzido o número de abates semanais e a retenção dos animais, no Verão, está a provocar prejuízos avultados ao produtor. Na fileira do leite o cenário é semelhante, o preço do litro de leite - cerca de 30 cêntimos o preço padrão – é considerado “muito baixo”.
A Associação Agrícola prepara-se para intervir no sector da carne e retirar do mercado os animais em excesso para controlar os preços ao produtor. Prevê-se que nas próximas semanas se consiga retirar das explorações da ilha cerca de 300 animais. “A exportação de animais vivos para continente é uma hipótese muito viável”, revelou fonte da AAIT.
Para Paulo Ferreira a comemoração do Dia do Agricultor foi um momento de reflexão sobre os problemas diários das explorações agrícolas.
Prémios
A Associação Agrícola da Ilha Terceira galardoou, neste dia do Agricultor, que se realizou na Quinta do Galo, no passado Sábado, as melhores explorações da ilha no ano de 2007. O prémio da melhor vaca da 1ª lactação (produziu 305 dias 10.847 kg de leite) foi entregue à exploração agro-pecuária irmãos Sousa & Silva Lda e a melhor vaca em contraste leiteiro (produziu 305 dias 13.547 kg de leite) foi entregue à exploração Irmãos Sozinho e Azevedo.
O prémio para a melhor média de exploração agrícola até 30 vacas foi entregue a Artur Lopes, para a melhor exploração de 30 a 60 vacas foi entregue a Luís Cardoso; a melhor exploração de 60 a 90 produtoras foi entregue a Nélia de Sousa e, por último, o prémio para explorações com mais de 90 vacas foi para João Parreira Pires.
IFAP em falta com agricultores
Entretanto, o PSD/Açores denunciou a falta de pagamento, "desde o último trimestre de 2007", de reformas antecipadas, por parte do Instituto de Financiamento para a Agricultura e Pescas (IFAP, IP), a alguns agricultores cessantes da região.
Na base nesta evidência, os social-democratas afirmam a existência de "deficiências no funcionamento do IFAP", isto atendendo à "exagerada demora" para resolver situações simples e que, no passado, se debelaram "com rapidez", explicam.
O assunto motivou um requerimento do deputado António Ventura, que diz ser "desconhecida" qualquer actuação do governo regional "junto do governo da república" sobre esta matéria, acrescentando que há, "entre os cessantes da referida actividade, queixas de dificuldades financeiras", causadas pela situação agora denunciada. O partido esclarece ainda que as reformas antecipadas na agricultura são um mecanismo comunitário que contribui "para o redimensionamento da estrutura parcelar das explorações" e, essencialmente, para "o rejuvenescimento dos activos agrícolas, assegurando um rendimento para quem, antecipadamente, pretendeu cessar a actividade naquele sector".
Segundo o PSD trata-se de mais um episódio de "incumprimento do governo da república, de novo com a cumplicidade do governo regional", que tem implicado "um elevado grau de desmotivação na agricultura" e "uma crescente perda de confiança dos Agricultores nas instituições públicas", referem.
Como tal, os deputados querem saber, através do referido requerimento, "a quantos cessantes da actividade agrícola, nos Açores, o IFAP deixou de pagar os montantes relativos a reformas antecipadas", assim como "as razões de tal incumprimento" e uma previsão de "quando voltarão os agricultores cessantes a receber os montantes das suas reformas".
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