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PRIMEIROS BOVINOS ABATIDOS - Carne IGP à conquista do mercado continental Domingo, 04.01.2007, 11:54am (GMT-1) Os Açores começam a vender quinta-feira para o continente português carne produzida nas ilhas com Indicação Geográfica Protegida (IGP).
A Carne dos Açores IGP será comercializada em estabelecimentos de três superfícies comerciais (entre eles o El Corte Inglês), anunciou a Federação Agrícola. Os primeiros bovinos IGP, originários da ilha do Faial, foram ontem abatidos no matadouro Industrial da Ilha Terceira e destinam-se à comercialização no continente português, uma vez que, nas ilhas, ainda nenhum talho está certificado para a venda desta carne. No entanto, em Angra do Heroísmo, a Associação Agrícola da Ilha Terceira já demonstrou interesse em certificar o seu talho para vender este produto aos consumidores. O processo de certificação da carne açoriana levou seis anos a concluir o que, para o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Virgílio Oliveira, "foi um desperdício de oportunidades para o desenvolvimento do sector da carne". Segundo Virgílio Oliveira, a falta de matadouros enquadrados na legislação comunitária, a falta de organização da produção e falta de empenho atrasaram este processo da carne IGP. O presidente da Federação Agrícola dos Açores, que falou, ontem, na cerimónia oficial do lançamento da Carne dos Açores IGP, garantiu que os produtores podem, a partir de agora, “planear a produção sem a preocupação da instabilidade dos preços”. Este dirigente agrícola defendeu ainda o apoio da classe política para estruturar a fileira da carne, no sentido de “chamar cada vez mais produtores ao sector”. “Julgamos ser necessário uma aposta forte da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas na formação”, explicou, argumentando que este contributo é importante para a optimização dos recursos e para investigação em várias áreas - como por exemplo a eficiência da produção à base de pastagem. Virgílio Oliveira espera que o consumidor exigente reconheça a qualidade deste produto genuíno, “que reflecte o saber fazer, que promove a segurança alimentar e que tem preocupações como a ética na produção e a harmonia com o meio ambiente”. Um responsável da operação sublinhou que a "carne com o selo de Indicação Geográfica Protegida é paga ao produtor com uma valorização de 32 por cento em comparação com o preço de carcaça da restante carne produzida na região". Neste momento, estão certificadas 231 explorações autorizadas a produzir carne IGP, enquanto duas dezenas aguardam aprovação, estimando-se que sejam abatidos, anualmente, cinco mil animais com as características exigidas. O organismo de controlo e certificação da carne IGP é o Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA), através de uma Comissão Técnica de que faz parte a Federação Agrícola dos Açores. A carne dos bovinos açorianos é considerada como Carne dos Açores de Indicação Geográfica Protegida (IGP) quando for proveniente das carcaças de bovinos nascidos, criados e abatidos nas ilhas do arquipélago, em moldes tradicionais de acordo com um caderno de especificações. Como moldes tradicionais são considerados os critérios de crescimento em pastoreio e alimentação à base de erva. Desde que a UE em 2003 reconheceu à região a possibilidade de produzir carne com IGP mais nenhuma outra carne produzida e comercializada no arquipélago, ou fora dele, pode ostentar na sua rotulagem a palavra Açores. O programa de lançamento da carne IGP contou com um almoço de degustação da carne dos Açores, visita às explorações de produtores, e um seminário que debateu a sua produção e comercialização. Projecto inovador para a Graciosa O Governo dos Açores prepara-se para implementar na ilha Graciosa, já durante a segunda quinzena de Março, um projecto que permite desenvolver a técnica da “transferência de embriões” bovinos, considerada da mais alta tecnologia. O projecto, a implementar pela Secretaria Regional da Agricultura Florestas, vai potenciar a diversificação das actividades pecuárias da Graciosa, capacitando as explorações locais à produção e exportação de animais de alto valor genético, sem qualquer risco sanitário. O executivo açoriano acredita que a introdução, na ilha, da capacidade de produção de alta genética em bovinos não só irá beneficiar a imagem “Graciosa” como se repercutirá, também, ao nível da produtividade da carne e do leite, com o consequente aumento nos rendimentos dos agricultores. Este trabalho surge na sequência do workshop e da reunião realizados com os produtores graciosenses, no passado dia 8, e após os quais o Governo Regional promoveu, ainda, uma jornada de reflexão sobre o elevado estatuto de sanidade animal de que beneficia a Graciosa. No entender da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, este elevado estatuto sanitário, que resulta do facto da ilha ser considerada livre e oficialmente indemne de doenças animais, oferece à Graciosa “um alto patamar de desenvolvimento a favor da modernidade e do progresso da sua bovinicultura”. O mesmo departamento governamental faz notar, ainda, que são poucos os territórios da União Europeia que possuem tal qualificação, que é fruto de um trabalho realizado, concertadamente, pelos técnicos dos serviços oficiais e agricultores. |
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