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Talvez a melhor Super-Especial do país… Litoral: 15 anos ao serviço dos Ralis


Sexta-feira, 04.13.2007, 10:22am (GMT-1)

Início junto ao Clube Náutico. Depois, Estrada Gaspar Corte Real, Rua dos Minhas Terras, início da Rua Direita (junto à Pensão Lisboa), Marina, Estrada Pêro de Barcelos, a passagem na famosa “âncora” e às portas da “Tercon”, Rua do Castelinho, Rua Ciprião de Figueiredo, Rua Francisco Ornelas da Câmara, Rua Conselheiro Jacinto Cândido, Rua João Vaz Corte Real, Avenida Infante D. Henrique, Rua Dr. Henrique Braz, Rua Dr. Sousa Meneses, Avenida e Praceta Álvaro Martins Homem e, finalmente, Avenida Jácome de Bruges.

-Miguel de Sousa Azevedo
-Foto: RL Photo

Pouco mais de três quilómetros e já tanta história para contar. Foi também numa Sexta-feira, mas dia 2 de Outubro de 1992 que, pelas 19 horas e 5 minutos o carro nº0 do XIV Rali Ilha Lilás, no caso um Renault 5 GT Turbo guiado por Gustavo Louro (ainda em fase de “espera” para a obtenção da licença desportiva…), inaugurava a classificativa do “Litoral”. Já em prova, cerca de 30 concorrentes (que diferentes eram também as listas de inscritos…) cumpriram o difícil mas apetecível traçado, que as mentes imaginativas do Terceira Automóvel Clube idealizaram para a orla marítima e zona das “Avenidas” da Cidade Património. Foram duas as passagens do dia de debute de um troço que, desde logo, galgou fronteiras e deixou curiosos os adeptos do automobilismo um pouco por todo o lado. Recordo aqui uma pergunta, feita há meia dúzia de anos por um lisboeta (em pleno TAP-Rali de Portugal) que nem sabia quantas ilhas tinham os Açores, e que rezava mais ou menos assim: “e aquele troço ao pé do mar…onde andou por lá uma 4L em duas rodas?”…Pois é, as imagens do “Litoral” fizeram conhecer a cidade de uma outra forma e até também os ralis da Terceira.

Mas, e voltando a 1992, Joaquim do Carmo foi quem estabeleceu o tempo mais rápido na primeira passagem pelo troço, ao demorar 2m54 (então as décimas eram coisa a não ligar…) com o Renault 5 GT Turbo ex-Bento Amaral. Mais um segundo fez Luís Pimentel no potente Mitsubishi Galant VR4 (acabadinho de chegar dos “States”…), e depois, ex-aqueo, Carlos Costa (R5 GT Turbo) e Pedro Melo (R11 Turbo) fizeram 2m56. Na segunda passagem os cavalos do carro japonês não deram hipóteses e os 2m50 constituíram o recorde do percurso para edições futuras. Joaquim do Carmo ainda logrou 2m52 e Carlos Costa repetiu o tempo da tentativa inicial. Estava “aberto” o livro de recortes, imagens e curiosidades de uma classificativa plena de carisma, condução e com o condão de movimentar milhares de pessoas. Embora a uns meses de distância, e em 2007, o “Litoral” já se corre há quinze anos.

Pelo meio ficaram outras versões, incluindo uma de ida e volta, com partida junto à sede do T.A.C., algumas ausências forçadas ou “arrepios” devido a obras pelo meio, como vai acontecer este ano junto à antiga Casa do Peixe, no Pátio da Alfândega e no “buraco” do Hotel do Cantagalo, ou até a substituição integral do percurso pelo também espectacular (mas bem mais arriscado...) “Citadino”, que se correu nas bodas de prata do Rali “Sical”, faz agora um ano. De resto, e face à edição inaugural, o “Litoral” tem cerca de 200 metros a menos, sendo o tempo final averbado junto à “Panificação”, quando antes isso acontecia mesmo junto à sede do clube organizador das provas, e os tipos de piso foram também sendo algo alterados, com a subida do asfalto das “Avenidas” a tornar menos ameaçadores alguns passeios e a permitir um melhor “convívio” com uma ou outra rotunda. A opinião da maior parte dos pilotos é unânime, classificando o trajecto com alto nível de exigência ao volante, mas também relevando sempre que é o “início do rali”, que “se pode dar cabo da prova com algum excesso”, ou que “convém é fazê-lo com calma para não dar asneira”…mas isso é o dizem todos, o “pior” é quando se apanham “debaixo” da Rocha, com a estrada fechada, e com centenas de pessoas a incentivá-los a cada passagem…

Pois, tal como os ralis, o “Litoral” foi ganhando adeptos ao longo dos anos, e é hoje um verdadeiro “ex-libris” das provas motorizadas da Terceira e dos Açores. Numa altura conturbada em termos económicos, embora daí não se tenha ressentido em demasia a lista de inscritos da prova inaugural da época, é sempre um descanso saber que por cá temos um percurso tão rico em termos de historial e de valor inegável como prova especial cronometrada. O troço correu-se pela última vez em 2005 (Rali Ilha Lilás), então num final de tarde com chuva e instabilidade, pelo que vai valendo o recorde do ano anterior (também no Rali Ilha Lilás), quando Horácio Franco e Francisco Furtado perfizeram os agora 3,11 km do percurso em 2m42,2. Será caso para dizer que em 1992 se andava já bem depressa. Mas essas comparações temporais hão-de ficar para outra altura, agora interessa aproveitar este “teenager” inconsciente que é o “Litoral”. E que por lá se passe até aos 30!...

PS- Numa decisão que mais não nos merece que o repúdio total dada a demora da sua publicitação (neste caso, e até à madrugada de ontem, apenas através da Comunicação Social), o Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting decidiu atribuir a Luís Pimentel (o segundo vencedor do “Litoral”…) a pena de suspensão efectiva, por um ano, devido ao caso de doping ocorrido no Rali Ilha Lilás de 2006. Na sequência de um processo idêntico o piloto Jorge Rocha foi suspenso por dois anos. Recorde-se que o Rali Ilha Lilás se disputou no início de Setembro do ano passado, ou seja há mais de sete meses...