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FUTEBOL - Indefinição nacional adia alterações na Série Açores


Segunda-feira, 06.04.2007, 09:47pm (GMT-1)

As alterações ao modelo competitivo na II e III Divisões não foram aprovadas este fim-de-semana, como previsto, o que adia a possibilidade de a Série Açores também implementar algumas renovações. Neste processo, Francisco Costa, presidente da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, lamenta que as outras associações açorianas dêem o dito por não dito e recusa-se a ter duas caras. O dirigente também está contra o afastamento das equipas dos regionais da Taça de Portugal.

João Moniz

Uma vez mais, o futuro das II e III Divisões de futebol é incerto. Como no passado, as alterações ao modelo competitivo destas séries não é pacífico, com várias divisões entre as associações. Diferenças de opinião que levaram ao adiamento da aprovação das novas regras, na Assembleia Geral do último sábado.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) queria aprovar um modelo em que cada série da II e III Divisões teriam 14 equipas na próxima temporada, reduzindo para 12 no ano seguinte. Mas um requerimento da Associação de Futebol da Madeira impediu a votação da proposta. Na opinião do presidente da FPF, Gilberto Madaíl, «os clubes não irão ficar nada satisfeitos com esta decisão, porque houve mais do que tempo para isto desde 2005. Deveria ter sido aprovado o modelo proposto pela direcção, que foi estudado e reestudado, e se houvesse necessidade de ajustar, ajustava-se esse modelo». A verdade é que apenas no sábado as associações apresentaram as suas propostas de alteração – queixaram-se de não ter tido tempo antes –, o que fez com que todo o processo ficasse adiado. Contactado pela A UNIÃO, Francisco Costa, presidente da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo (AFAH), esclareceu que ficou estabelecido as associações chegarem a um consenso até ao fim de Junho. Nessa altura, se a FPF não marcar nova Assembleia Geral, serão as associações e convocar a reunião decisiva.

Ainda assim, o dirigente mostra-se relutante: «Não faço a mínima ideia de quando isto poderá ficar resolvido. Acho que vamos ter tudo na mesma na próxima época. Não se pode passar por cima dos estatutos quando se quer. Acho que, até ao final deste ano, devia-se arranjar um modelo que se implante de imediato e ponto final. Algum dia tem de se começar do zero». Francisco Costa explica os argumentos de quem está contra o modelo proposto pela FPF. «Há quem diga que fere os estatudos, opinião que eu compartilho. Os estatutos da Federação dizem que as alterações ao número de clubes numa competição, que é o que está aqui em causa, devem ser feitas até 31 de Janeiro. Alterar as coisas agora pode levar alguém a impugnar a Assembleia Geral ou a colocar medidas cautelares para impedir o início das competições».

Série Açores
afectada por tabela

A nova proposta de modelo competitivo da FPF não incluía a Série Açores, mas acaba por afectar esta prova indirectamente. «Estávamos na expectativa de os novos quadros serem aprovados para sabermos com o que podíamos contar daqui para a frente. Tínhamos uma proposta que passava por introduzir, na discussão na especialidade do novo modelo, algumas alterações à Série Açores, de forma a ficar o mais parecido possível com outras competições», adianta Francisco Costa. O presidente da AFAH explica que «qualquer alteração que melhorasse a competitividade da Série Açores era positiva», mas admite que esse era um cenário difícil de concretizar: «A Série Açores no próximo ano vai ser aquilo que sempre pensei. Tínhamos dúvidas que, mesmo na discussão na especialidade, aceitassem uma fase transitória». Ainda assim, o dirigente defende que a Série Açores «precisa de ser alterada no seu modelo competitivo» e que o «grande problema é a liguilha». O objectivo até passava por tentar ir o mais longe possível, mas isso podia acarratar alguns riscos. «Não nos servia de nada não resolver esta questão [a liguilha, que mexe com os interesses de várias associações continentais], implementar um novo modelo e depois alguém impugnava a Assembleia e ficávamos na mesma», afirma Francisco Costa, finalizando: «Podemos perder um ano, mas é preferível dar um passo atrás para depois darmos dois em frente».

Relações complicadas


As relações entre as três associações de futebol das ilhas, essenciais para reformular a Série Açores, já tiveram melhores dias, mas Francisco Costa mostra-se reservado a comentar este assunto. «Cada um trata dos seus interesses», dispara, acrescentando, a custo, mais algumas considerações: «Não podemos admitir situações em que abdicámos de algumas opiniões para se chegar a posições consensuais, mas quando a AFAH apresenta alguma proposta não há essa abertura. Não estamos dispostos a ter duas caras. As associações de Ponta Delgada e Horta defenderam uma coisa e depois deram o dito por não dito». Sobre a discussão para reformular a Série Açores, o presidente da AFAH adianta apenas que «saíram coisas díspares das várias reuniões que as associações mantiveram com os clubes» e mostra-se «surpreso» que alguns emblemas admitam perder dinheiro. «Não cabe na cabeça de ninguém que dois clubes em 12 desçam ao fim de cinco meses, se têm as mesmas despesas que os outros. Isto não é um campeonato de matraquilhos, é futebol», atira Francisco Costa, explicando os motivos da sua indignação: «Pedimos a quem defende estas soluções que fundamente a sua opinião. Quando nos respondem que esses dois clubes nem deviam estar ali, então perguntamos porque é que temos 12 clubes desde o início. Essas pessoas deviam pensar melhor no que estão a fazer. Ou se calhar sou eu que estou a mais e tenho de me ir embora e deixar acontecer barbaridades destas».

O dirigente aponta o exemplo do Capelense, que na segunda fase da última Série Açores garantiu a manutenção, para mostrar como não faz sentido promover despromoções precoces e defende que «o futebol tem de ter modelos regulares, com uma competição nunca inferior a oito ou nove meses».

Quanto à viabilidade económica da prova, Francisco Costa relembra que «o Governo não pode gastar mais de 800 mil euros. Isto é do conhecimento público há meses e acredito que as pessoas não vão dar o dito por não dito. A nossa preocupação é encontrar um modelo que não prejudique o futebol regional, uma solução de que não nos arrependamos».

Liga com poder
a mais

O impasse gerado na II e III Divisões é já visível nos calendários. Enquanto outras competições já têm início marcado – a estreante Taça da Liga abre a temporada a 4 de Agosto, I e II Ligas arrancam duas semanas depois, a 18 do mesmo mês, e a Taça de Portugal a 2 de Setembro – ainda não se sabe quando rolará a bola nas séries desses dois escalões. Apesar disto, Francisco Costa aponta outro problema ao futebol nacional: a Lei de Bases do Desporto. «A grande indefinição vai ser a regulamentação da Lei de Bases.

Também não concordamos que a Liga de Clubes tenha a autonomia de decidir quem desce ou sobe nas suas competições. Ainda não sabemos quem vai ter poder para decidir essa matéria», afirma o presidente da AFAH, explicando o motivo da sua preocupação: «Existem quatro séries na II Divisão, logo os quatro campeões devem subir à II Liga, mas a Liga de Clubes quer que só subam duas. Esta questão acaba por influenciar a organização das competições inferiores à II Liga».

Também por isto, Francisco Costa lamenta algumas situações que ocorrem no mundo do futebol, como o facto de o presidente da Liga de Clubes ser vice-presidente da FPF, mas «na última Assembleia estava sentado no lugar da Liga, utilizando os seus 100 votos para decidir as coisas consoante lhe convinha».

Alterações
na Taça de Portugal


Além das alterações aos quadros competitivos, outro ponto da última Assembleia Geral da FPF leventou polémica. Com 243 a favor e 218 contra, ficou decidido que a Taça de Portugal deixa de contar com os clubes dos regionais ou distritais na primeira fase. Como esta alteração foi aprovada com uma margem reduzida, Francisco Costa acredita que alguém poderá pedir a sua impugnação. «Como já disse, as alterações ao número de clubes em competições deviam ter sido aprovadas até Janeiro. Vi muitas associações descontentes.

Algumas têm os seus modelos competitivos organizados em prol desse objectivo e outras já apuraram o seu campeão, que deveria participar na Taça». Por motivos logísticos, o torneio de apuramento da AFAH para decidir que clube dos regionais iria estar na Taça de Portugal não se vai realizar a 2 de Junho, como inicialmente previsto, mas «já há uma solução prevista», garante Francisco Costa, que não fecha a porta à possibilidade de ser a AFAH a avançar com a impugnação das novas regras da Taça. «Não sei, não vamos fazer nada isoladamente, porque um processo destes tem elevados custos. É necessário um gabinete jurídico que defenda isso com algum conhecimento de causa», justifica. Mas «se algumas associações decidirem contestar esta decisão, também temos interesse nisso. Não temos é capacidade para agir sozinhos».

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