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Desporto
 

43º SATA Rali Açores – Campeonatos de Portugal e dos Açores de Ralis - Bruno voou"e encantou!


Terça-feira, 07.08.2008, 08:17pm (GMT-1)

O campeão nacional Bruno Magalhães, acompanhado pela primeira vez por Carlos Magalhães, foi um merecido vencedor da edição deste ano do SATA Rali Açores, a prova máxima do automobilismo regional (e concretamente o maior acontecimento desportivo das ilhas de bruma…), desta feita evento de suporte ao Intercontinental Rally Challenge (IRC), e que terminou ao final da tarde de sábado, em Ponta Delgada, bem em jeito de início para a noite de festa da inauguração das Portas do Mar.

O piloto lisboeta apenas não liderou na quinta-feira, pois na excelente Super Especial “Grupo Marques” os Mitsubishi dominaram, com o espanhol Xavi Pons a vencer, na frente de Fernando Peres e da jovem promessa Yeray Lemes. Foi um início de monta, com um traçado e um ambiente a deixarem antever um grande rali. E que assim o foi.

Sábado de manhã e Peres a tentar nas Feteiras contrariar a supremacia dos S2000, um facto que Magalhães iria comprovar logo nas Sete Cidades, arrancando para uma série de três vitórias em troços que consolidavam a sua liderança.

Ao longo do dia Peres, que foi o único a conseguir contrariar com sucesso o homem da Peugeot, ainda vencia mais dois troços, José Pedro Fontes (muito infeliz com um furo no Pico da Pedra a afastar as hipóteses de vitória) garantia novo recorde nas Sete Cidades, e o “puto” Bernardo Sousa era o primeiro piloto a ganhar na muito contestada (nova, mas com o piso ainda longe de compactado…) estreia da PE Coroa da Mata.

A liderança de Bruno foi cimentada quando Peres perdeu tempo nesse mesmo troço (“impraticável”, apelidaram-no alguns pilotos…), pelo que eram 22,5 segundos a separar os dois da frente quando se foi descansar e esperar pelo sábado.

No pódio a presença esperada de Xavi Pons era feita com uma condução soberba, a minimizar os efeitos de desconhecer o terreno, deixando o campeão do IRC’2007, Garcia Ojeda, no quarto lugar, na frente de um inspiradíssimo Horácio Franco, ainda e sempre a mostrar os seus dotes na prova (diz ele…) da despedida.

Vítor Pascoal começava a abrir para uma actuação de grande qualidade, que iria confirmar com a subida na tabela marcada para o dia seguinte. Bernardo Sousa (7º) parecia demorar a aclimatar-se ao rali, enquanto Ricardo Moura (8º) fazia uma sexta-feira pouco inspirada e prometia melhores tempos para o dia seguinte.

Logo atrás de ambos surgia José Pedro Fontes, a recuperar o tempo perdido e numa toada impressionante. Vítor Lopes fechava o Top-10 e pelo caminho já tinham ficado a estrela do TT “Nani” Roma, e Ricardo Carmo, em dia de aniversário, que abandonaria também no sábado. No regresso aos ralis Luís Rego ia ganhando ritmo e o prémio do azar podia ser entregue a Rui Moniz que, depois de uma estreia auspiciosa em 2007, teve um rali cheio de problemas.

No sábado um atraso inicial de Fernando Peres, motivado por um pião em Graminhais-1, deixou Bruno Magalhães bem solto na frente, até porque Xavi Pons iria de seguida capotar violentamente o EVO9 na Tronqueira, interrompendo uma prova de bom nível. Vítor Pascoal começava uma excelente recuperação que o iria guindar á medalha de prata, sendo de destacar o ritmo e o virtuosismo do jovem (20 anos) espanhol Lemes, que seria mesmo o quinto da geral no segundo dia de prova.

Ao invés Bernardo Sousa desentendia-se com os limites da estrada e saia em Ribeira Grande-1. Mas o homem do dia era José Pedro Fontes que, face a já alguma contenção de Bruno, se mostrava em grande forma dando espectáculo, mas a fazer tempos de realce. Venceu o dia e subiu ao terceiro lugar final.

Azarados os dois homens da Além-Mar em prova, com Peres a partir o diferencial traseiro em Tronqueiras-2, o que o iria fazer descer na tabela, e Moura, que acordara com disposição para o brilho, a ver o motor trabalhar alternadamente em três cilindros, o que hipotecou a possível vitória entre os “pontuáveis” do campeonato açoriano no sábado.

Finda a prova e são dois os pontos que separam os pilotos dos EVO9 azuis-escuros. Entre os locais brilhava o homem que todo o público acarinhou, e que deixou muito boa gente de lágrima no olho: Horácio Franco, autor de um rali soberbo e, caso pare por aqui, deixou gravado bem alto o seu nome nas estrelas da constelação regional.

Foi o quarto da geral e o melhor açoriano. Com as movimentações da tabela, e associado ao seu excelente andamento, Adruzilo Lopes subia a sexto, na frente do jovem Yeray Lemes, enquanto o irmão Vítor ia até ao nono posto, na frente de Luís Rego.

Nuno Barroso Pereira, ainda pouco feito ao Punto, era o 11º, batendo Carlos Costa e Marco Martins. Uma palavra para a aclamação geral ao ex-esquiador Llovera, piloto paraplégico e que deixou vincada a vontade de viver e de competir na ilha verde.

Nas duas rodas motrizes o domínio de Carlos Costa não foi assim tão factual. Para além de Francisco Barros Leite, que esteve azarado com o Ibiza diesel a desistir nos dois dias, Pedro Vale deu muito que fazer ao homem do S1600, assinando nova actuação meritória, apesar de inúmeros problemas o terem atrasado.

Também Sérgio Silva teve uma prova para esquecer e o continental Carlos Matos deixou a desejar dadas as mazelas que surgiram no Clio. Assim o campeão da F3 regional averbou um excelente resultado e fez uma prova em crescendo, com destaque para os tempos de Sábado.

Na luta particular da Formula 2 o vencedor acabou por ser o veterano Fernando Amaral, embora Abel Carreiro fosse o líder destacadíssimo da categoria quando, e uma vez mais, o Punto não colaborou com o rápido piloto.

Entretanto Gilberto Ferreira, que era segundo, já ficara pelo caminho, enquanto o campeão em título, Olavo Esteves, viu a sorte fugir-lhe com o motor do Clio a “calar-se” em Marques-2, a dois troços do final e com o segundo lugar no bolso. Terminaram 23 equipas.

Destaque natural para a comprovada “internacionalização” de vários sectores da prova, que ambiciona de facto integrar o IRC no futuro. Para as presenças espanholas, com Albert Llovera a ser o rei dos aplausos.

E para a fantástica super-especial, sem dúvida uma valorização acrescida, com um traçado fabuloso e condições para tudo e mais alguma coisa no local e com as pessoas (Grupo Marques) que a avalizaram e permitiram. Um “SATA” de belo efeito, este de 2009!

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