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Rallye Internacional dos Sertões (Brasil, Agosto de 2007) - Açorianos querem seguir os passos de Cabral…


Domingo, 04.01.2007, 03:23pm (GMT-1)

Depois do sucesso que foi a participação no Lisboa/Dakar de 2006 as cores açorianas vão voltar à ribalta do todo-o-terreno mundial.

- Miguel de Sousa Azevedo (Texto e fotos)

A “Açores 4x4” tem já traçado um rumo em direcção à América do Sul para onde vão viajar quatro viaturas, três delas para participar, no mês de Agosto, na edição 2007 do “Rallye Internacional dos Sertões”, uma prova de 10 dias e cerca de 4000 quilómetros, onde a dureza dos pisos e a vertente competitiva de alto nível, já fizeram com que ganhasse o epíteto de “Dakar” sul-americano…

As equipas dos Açores serão Carlos Martins/João Fagulha, que levam de São Miguel o Land Rover Defender que em 2006 terminou o “Dakar”, e da Terceira viajarão Victor Hugo Carvalho/José Vaz Fonte (Jeep Cherokee) e Leandro Rosado/Nuno Rosado (pai e filho, em Toyota Land Cruiser VX). Mas a participação não se quer cingir à vertente competitiva do Rali, crescendo em dimensão para uma verdadeira expedição atlântica e que se vai denominar “Rota da Açoreanidade”, através da qual as equipas vão atingir a diáspora açoriana no sul do Brasil, levando a saudade das ilhas, adornos e vestuário da altura da colonização (século 18), bem como palavras dos poetas açorianos e as cores de artistas plásticos da região, gravadas em lápides que irão deixando pelas várias associações que a comunidade do arquipélago possui ao longo do percurso, como o são as Casas dos Açores, e que já se solidarizaram coma iniciativa. O projecto é, segundo Victor Hugo Carvalho “mais antigo que a própria participação no Dakar” e representará levar à prática “um sonho que se cruza com uma realização cultural de relevo”.

Na apresentação do projecto, que decorreu no Restaurante “Aquaemotion”, em plena baía de Angra do Heroísmo, e onde se puderam provar algumas das iguarias da cozinha local…e das vinhas do norte da Terceira, o piloto e impulsionador da expedição realçou que “a parte competitiva não vai ser esquecida, e até poderemos fazer algumas coisas engraçadas nesse campo, mas o espírito de descoberta e divulgação - dos Açores rumo ao Brasil - vai presidir como estado de espírito do grupo”, cuja quarta viatura deverá “servir para transportar um grupo de jornalistas que irão documentar toda a viagem de forma a que, no futuro, ela possa ser recordada como um marco…e bem mais do que uma participação desportiva”. Para a efectivação de todos estes desejos estão em curso vários pedidos de apoio, com algumas garantias já dadas por firmas que “acreditaram neste misto de desporto e cultura, assim como por algumas juntas de freguesia açorianas que se querem associar ao projecto.

A nível de apoio oficial nada está, para já, definido, mas a logística da deslocação - que estará orçada em cerca de 30 mil euros - depende bastante do surgimento ou não do mesmo”. Paralelamente ao “Rallye dos Sertões” decorre ainda um rali solidário, e que consiste “na presença de médicos voluntários, que acompanham a caravana da prova e prestam cuidados de saúde às populações cujas terras vão sendo visitadas, algumas delas inóspitas e com muitas carências”. Victor Hugo Carvalho revelou que foram “contactados médicos locais para integrarem a comitiva, hipótese ainda não excluída, mas que está a ter algumas contrariedades”. O certo é que os jipes embarcam em Maio e, desde o início do sonho, a aventura só vai terminar no final de Agosto…e cumpridas as expectativas dos elementos da caravana açoriana.

Sobre a Prova

Tendo como cenário o interior do Brasil, o “Rallye Internacional dos Sertões” é a maior prova fora de estrada da América Latina e uma das maiores do Mundo em número de participantes. Pilotos em automóveis, motos, camiões e quads, enfrentam anualmente cerca de 4.000 quilómetros por difíceis trilhos e estradas secundárias do país. Em 2006 o Sertões teve a sua partida em Goiânia (GO) e a chegada instalada em Porto Seguro (BA). Foram 10 dias de lutas acesas por vários tipos de terreno, com 182 veículos inscritos nas várias categorias. Uma vez mais a prova fez parte do calendário mundial de Todo-o-Terreno para as motos. Em 2004 a prova foi observada por um comissário da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), que se deslocou da Europa especialmente para analisar a organização do evento e depois homologá-lo no campeonato. A entrada dos “Sertões” no mundial das duas rodas é resultado do trabalho sério e profissional da Dunas Race (www.dunas.com.br), empresa dirigida por Marcos Ermírio de Moraes e Simone Palladino.

A segurança dos concorrentes e dos espectadores é uma grande preocupação no “Rallye dos Sertões”, pelo que a organização do evento não mediu esforços para que a edição do ano passado não apresentasse nenhum problema. A grande novidade foi o Sentinel (também utilizado no “Dakar”), um aparelho que emite um sinal sonoro de segurança na altura das ultrapassagens. O seu uso visa a segurança dos pilotos, principalmente das motos, que muitas vezes não ouvem o barulho ou a buzina do veículo que vem atrás. Quando accionado, o aparelho emite um sinal sonoro e luminoso, numa distância até 150 metros em terreno plano. O “Rallye Internacional dos Sertões” é a maior prova fora de estrada da América Latina e a terceira maior do Mundo em número de participantes, perdendo apenas para o lendário “Dakar” (que desde 2006 arranca de Lisboa) e o famoso Rally da Tunísia, ambos realizados no deserto africano.
A sua vertente competitiva tem duas modalidades:

- Cross Country – Onde os pilotos enfrentam todo tipo de terreno: pedras, terra, areia, travessia de rios, etc. Não conhecem o percurso e não podem treinar. Orientam-se pela “planilha”, uma espécie de mapa. Nessa modalidade participam automóveis, motos, camiões e quads. Vence aquele que acelerar mais e melhor, pois o que vale é a velocidade contra o relógio.

- Regularidade - Categoria que começou nos “Sertões” em 2004. É disputada por carros com tracção às quatro rodas (4x4). Vence aquele que conseguir manter-se o mais próximo da velocidade média estipulada pela organização. É dividida em Turismo, para iniciados, e Graduados, onde participam os mais experientes.