|
EM ABRIL, ÁGUAS MIL - Comerciantes do pronto-a-vestir desesperam com crise e chuva
Quarta-feira, 04.18.2007, 06:55pm (GMT-1)
Estão a entrar em estado de desespero os comerciantes da ilha Terceira por causa da inimizade criada neste mês de Abril com São Pedro. O velho dito popular assegura que “em Abril, águas mil” e, mais uma vez, a sabedoria do povo não falhou.
Pedro Ferreira
Com as chuvadas fortes dos últimos dias, desde que começou Abril, que os empresários da ilha, muito em particular os do sector do pronto-a-vestir e acessórios, estão à beira de um ataque de nervos, porque as colecções Primavera/Verão 2007 não se estão a vender.
Tal facto meteorológico, aliado à crise económico-financeira que os empresários dizem estar instalada no arquipélago, reflexo das quebras registadas nas vendas e esvaziamento de stocks das colecções em casa, provoca que alguns comerciantes tenham tido a necessidade de alterar a sua forma de proceder com fornecedores e outros credores, nomeadamente através do prolongamento das datas limites de pagamento. Lojas vazias, prateleiras cheias de roupas e/ou acessórios, ordenados por pagar, entre outras despesas fixas ou suplementares, são factores que estão, seriamente, a preocupar os empresários locais que, nalguns casos, vão apelando às entidades suas representativas ou com competência em matéria de comércio e indústria para que ajudem a ultrapassar a crise.
O pior é que, para além de estarmos numa fase do mês em que existe, por inerências próprias às vivências quotidianas dos açorianos, menos dinheiro para gastar (funcionários da Administração Pública ainda não receberam e trabalhadores privados por conta de outrem estão saldando as suas dívidas mensais), há que esperar por continuação de condições meteorológicas adversas, isto é, pouco primaveris. Segundo conseguimos apurar, por exemplo, até ao final da presente semana e no início da próxima as nuvens vão prevalecer no céu das ilhas, com a chuva a cair com grande intensidade hoje para o final de dia e madrugada de quinta-feira, sexta-feira com prevalência para o período vespertino e no fim-de-semana as previsões apontam para bastante chuva, à semelhança dos últimos dias (se exceptuarmos o passado Domingo e a passada segunda-feira).
Em síntese, as condições do tempo devem apenas melhorar para a próxima terça-feira, factor de nervosismo para os empresários que mais directamente precisão de bom tempo para fazer negócio.
Guarda-chuvas e publicidade
As fotos que ilustram este trabalho são da Rua da Palha, em Angra do Heroísmo, e foram tiradas ontem às 14h30, altura em que, num dia de bom tempo, esta artéria da urbe angrense é das mais procuradas por turistas e residentes, não só por ser um pólo de comércio tradicional, como, por ter agradáveis espaços de diversão e lazer com as esplanadas d’ “O Marquês” e do “Café Lilás”, para além do novo espaço “Ponto D’Encontro”. Para fazer face a estes constrangimentos (uns imprevistos, outros nem tanto), os empresários regionais tem criado diversas formas de atingir mais directamente os possíveis clientes.
Campanhas de publicidade mais agressivas através da adesão aos out-doors espalhados pela cidade para divulgação dos produtos comercializados, realização de contratos com estações radiofónicas para divulgação sonora da sua área de negócio, promoção de acções personalizadas onde o contacto directo é privilegiado com os futuros hipotéticos clientes nas ruas ou outras superfícies, ou, ainda, a colocação de pequenos panfletos nas viaturas estacionadas nas vias públicas e/ou nas caixas de correio dos terceirenses. Uma outra vertente de marketing que começa a ser aposta na ilha Terceira é a disponibilização de guarda-chuvas com designações da firma ou marcas comercializadas.
________________________CAIXA
“GATO POR LEBRE”
Toques de telemóvel motivam queixas
As campanhas publicitárias estão nas televisões, na net, entre outros meios de divulgação, e as queixas a chegar à DECO – Associação de Defesa do Consumidor, por causa dos toques para os telemóveis. Têm sido em grande número as participações que, nos últimos tempos, chegaram à associação de defesa do consumidor, em virtude de serem cada vez mais os consumidores que se sentem enganados pelas empresas que vendem toques para os telefones móveis.
Em muitos casos, vende-se “gato por lebre”, uma vez que se afirma que o primeiro toque é grátis, mas, na prática, depois de adquirido é cobrado e nem sempre o utilizador o recebe. Noutros, recebe-se o toque, mas, por cada mensagem enviada pela empresa é taxado um custo. Algumas empresas que vendem, por exemplo, screensavers, logótipos ou sons, violam o dever de informação a que estão sujeitas. “Não são transmitidas ao consumidor, todas as condições contratuais, como o custo por mensagem recebida, o que é proibido”, adverte a DECO. O problema agrava-se quando não há um contacto acessível para reclamar e cancelar o contrato. “Como este tipo de vendas é equiparado às vendas à distância, o consumidor tem até 14 dias corridos para pôr termo ao contrato”, lembra a associação.
Para resolver esta situação, pode pedir a intervenção da DECO ou de outras associações de consumidores (no caso dos Açores a ACRA – Associação de Consumidores da Região Açores) que têm contribuído para a resolução destes conflitos junto das empresas. Os tribunais comuns são outra hipótese de recurso, alegando incumprimento da lei pela empresa ou mesmo burla, quando o consumidor paga sem nada receber. “Nesses casos, também pode apresentar queixa à polícia”, afirma a defesa do consumidor.
No entanto, o mais seguro é, finaliza a DECO, “enquanto a lei não o proteger eficazmente, prevenir e evitar aderir a estas promoções”.
|