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Lavar das mãos
Sexta-feira, 04.13.2007, 10:16am (GMT-1)
Num tempo “amordaçado” pelo laicismo, que tenta impor-se a boa parte dos valores civilizacionais do Ocidente, não faltam os “herodianos”, a fazerem vénias aos novos césares, não já do Império Romano, mas às tentações centralizadoras dos novos donos do mundo, com a desculpa da globalização.
Plantados, no rectângulo atlântico da Ibéria, mais estas ilhas adjacentes, parece que os poderes vigentes se tornaram adoradores do umbigo de Bruxelas, esquecendo as reais necessidades das gentes do interior rural e das periferias. Abandona-se o que nos resta do povo sofrido dos campos e concentram-se nas urbes, onde uns tantos se passeiam, apoucando-nos de provincianos.
E é tal o afã de tudo desmantelar, justificando-se com questões de restrições de despesas, que tudo fecham: maternidades, urgências, escolas, tribunais. Só falta fechar a torneira que a tais “patriotas” sustenta e engorda, deixando morrer os outros concidadãos à míngua de atenção e de cuidados, sobretudo, no respeito pela dignidade da vida das pessoas.
Num tempo desprovido de convicções fortes sobre o sentido da vida, o cidadão comum é relegado para plano secundário, havendo por isso a tentação de carreirismo fácil de canudo “ad hoc” e de sucesso económico, mesmo que à custa de multidões famintas. È preciso voltar às raízes de que somos e ao sentido do Amor que se dá gratuitamente na Paixão, para ressuscitar na manhã de Páscoa!
Pilatos há dois mil anos não conseguiu fugir à sua responsabilidade com o simples “lavar das mãos”. Esse gesto não foi suficiente para sossegar a sua consciência. Ele foi, é e será o principal responsável pela execução de Jesus Cristo. Esta semana o Presidente da República promulgou o diploma sobre a exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez e enviou mensagem à Assembleia da República, em que identifica um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a assegurar um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença. Então por que a promulgou? Não será o “lavar das mãos de Pilatos”?!
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