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Almoço com Duarte Freitas
Domingo, 04.22.2007, 10:01pm (GMT-1)
Duarte Freitas é um dos nossos deputados europeus, como sabem. Ele e Paulo Casaca têm uma credibilidade na Região de onde provêem muito superior àquela que se observa com outros deputados europeus que, não tendo para onde voltar, acabam por ser mais representantes da Europa nos seus partidos, do que representantes do seu país e região na Europa.
Quem o afirma é o próprio Duarte Freitas, que ontem convidou os órgãos de comunicação social da Terceira para um almoço no Restaurante Beira Mar. Diz-nos, com humildade, que o mérito não é dele mas dos deputados do PS e do PSD que foram eleitos para nos representar em Bruxelas. Falou de Paulo Casaca, de Artur Cunha de Oliveira, de Carlos Costa Neves e de Vasco Garcia. Diremos nós, talvez, que o mérito é da Região que os elegeu, que é capaz de ter identidade própria no meio de muitas outras regiões engalfinhadas umas nas outras. Afinal de contas o isolamento tem pelo menos a vantagem da identificação.
Estive pouco tempo sentado à mesa, numa má-criação que já vai sendo hábito nestes almoços de políticos com a comunicação social. Não há dúvida de que os horários dos políticos não coincidem com os meus tempos embora se possam manifestamente ajustar aos ritmos dos jornalistas. Pelo menos nos relativamente longos almoços de trabalho onde vão fluindo conversas e assentando conivências. Estava presente a Rádio e a Televisão Pública dos Açores, a Rádio Horizonte, o Rádio Clube de Angra e a União. Mais tarde haveria de chegar o Diário Insular que estava mais activo numa outra mesa mais além.
A conversa começou com alguns comentários sobre a qualidade da comunicação social privada, nomeadamente aquela que nos é apresentada nos canais de televisão com maior audiências. A tensão nos órgãos de comunicação social é grande. Ou se emite aquilo que o público gosta ou se transmite aquilo que o emissor deseja. Os jornalistas estão supostamente no meio mas, face a um público sem grande poder de decisão, não há qualquer critério para a selecção da informação. Resta assim a informação para a formação com base numa qualquer agenda político - ideológica, ou a informação para o divertimento, numa aposta mais ou menos profissional na alienação dos leitores, ouvintes e telespectadores. Se virem bem os artigos que têm peso são aqueles que pretendem formar pela denúncia ou aqueles que visam apenas a diversão e a alienação com base em qualquer futebolista ou protagonista de contos de fadas.
Talvez um pouco tolamente tentei mudar a conversa para a potenciação da sinergia entre os Deputados Europeus e a comunicação social regional. Argumentei que localmente se tinha a noção de que as notícias de fora não interessavam embora tivessem um impacto nítido na vida dos cidadãos: as variações das taxas de juro pelo banco central europeu, as mudanças de preços na política agrícola comum, a definição de padrões ambientais nas emissões provocadas pelos aviões ou as alterações nas políticas das pescas têm um impacto muito maior na vida dos açorianos do que o anúncio qualquer de políticos, universitários e outros protagonistas. No entanto é disso que trata na comunicação social local esquecendo-se a ligação entre a informação e a decisão que é possível através dos parlamentares europeus dos Açores. Vamos a ver.
Mesmo antes de sair, às duas horas, a conversa tornou-se mais técnica mas não menos interessante. Tratava-se de saber como agilizar a relação entre os gabinetes dos políticos e os órgãos de comunicação social. Até agora há apenas conferências de imprensa, artigos de opinião e notas de imprensa. A questão interessante que se colocou é saber se os deputados não poderiam enviar os seus dizeres por voz, porque não com imagem? O que estaremos a perder com esta cooperação simpática entre políticos e jornalistas? Talvez um pouco mas o almoço foi agradável.
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