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Tempos no Faial


Quinta-feira, 04.26.2007, 11:22pm (GMT-1)

Estou por aqui por estes dias. Num quarto do Hotel Faial que tem vista sobre uma das maiores maravilhas do mundo, o Canal.

Chama-se o Canal entre o Pico e o Faial mas na verdade é o Canal entre o Atlântico Oriental do Velho Mundo e o Atlântico Ocidental do Novo Mundo; e também o Canal entre o Atlântico Norte das Pescas e o Atlântico Temperado do Turismo.
Estou aqui para analisar uma candidatura aos fundos EFTA de um projecto de reconstrução de barcos baleeiros. O pedido veio de um equipa norueguesa e a execução do pequeno estudo conta com a colaboração preciosa de um comandante da marinha mercante grande aficionado dos barcos baleeiros. A ideia é visitar os Clube Navais onde estão os barcos para recuperar, tirar fotografias, falar com as pessoas e fazer um pequeno relatório que informe os financiadores sobre a efectividade da aplicação das suas verbas. Há dias visitei os botes de São Mateus na Terceira, ontem foi a vez dos botes do Faial, hoje irei ao Pico e amanhã a São Jorge.

Os botes e as pessoas falam por si. O que gostaria de partilhar convosco é as pequenas conversas e momentos que se vivem junto do Canal que vos falei acima. O Departamento de Oceanografia e Pescas continua em grande actividade. Numa sala pequena uma dúzia de alunos da segunda edição do mestrado em oceanografia e pescas participam numa aula dada por uma professora recém doutorada. Na sala onde estou o Image DOP continua a divulgar numa página de internet actualizada os feitos do DOP. Mais à frente, um outro recém doutorado atarefa-se a preparar dois projectos para o 7º Programa Quadro de Investigação e Desenvolvimento da União Europeia ao mesmo tempo que tira dúvidas por Skipe com um colega que está a terminar o seu doutoramento na Escócia. E depois tudo vai fluindo com simpatia e efectividade. Em cerca de uma hora consigo escrever e mandar um fax porque alguém me informa do número e do conteúdo pelo email; consigo fazer um orçamento para enviar para a Dinamarca porque ao lado está o recém doutorado que me informa sobre a melhor forma de o fazer; consigo enviar-vos o artigo de ontem porque outro-alguém não se importa de se encarregar de fechar a porta onde estou quando termino já depois do encerramento normal do serviço. Não há dúvida de que a produtividade é baseada na simpatia. E as pessoas são simpáticas no Faial.

Também estive reunido com o Presidente da Câmara. Um tipo dinâmico que quer fazer obra e que parece saber aproveitar as oportunidades dos pequenos encontros para levar o desenvolvimento da sua terra por diante. Falámos do financiamento das autarquias, da distribuição das verbas comunitárias pelos municípios, do cumprimento a nível municipal dos planos estabelecidos ao nível comunitário, nacional e regional, da possibilidade de haver cursos de licenciatura em engenharia e gestão do ambiente no Faial e por aí a fora. Fiquei com a nítida noção de que, mesmo com tipos capazes e possibilidades de desenvolvimento em muitas das ilhas dos Açores, é muito complicado fazer chegar a essas ilhas os meios financeiros que, estando disponíveis a nível regional, são necessários em cada uma das ilhas. A razão é simples. Em São Miguel aposta-se em projectos de competitividade e acessibilidade que vão produzindo os seus efeitos. Nas outras ilhas, estimulado pelos governos regional, nacional e comunitário, e com o apoio dos retrógrados de cada ilha, preferem-se os projectos de coesão que criam elefantes brancos, com muitos edifícios novos e muitas pedras para o mar.

A propósito de pedras para o mar, também falámos sobre a necessidade de reabilitar o Porto de Angra para passageiros em vez de criar bares com vento e mandar os turistas para as ventanias do Porto da Praia. Os terceirenses são mesmo estranhos. Com o melhor porto natural dos Açores preferem fechá-lo. É o que se pensa por aqui.