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Opinião
 

Quando os sinos silenciam.


Quinta-feira, 04.26.2007, 11:23pm (GMT-1)

Pouco a pouco os sinos deixam de tocar. Alguns contam as horas que faz lembrar ao homem o tempo que passa. De quinze em quinze minutos o homem corre para a morte sem pensar no que vai encontrar para além da cova ou do fogo da cremação.

Por vezes, ao último minuto, lembra-se do Criador, e, assim, fica a lenda do pescador que foi empurrado para o mar e o discípulo que o fez perguntou: «Mestre porque me mandou fazer tal coisa? O Mestre replicou: porque pensava no Pai e assim se salvou! Aquele que crê será salvo»...
Já não se houve os sinos dobrarem no dia dois de Novembro, dia de finados. Basta o 1º de Novembro dia de todos os Santos que, ainda, muitos aproveitam para visitar a campa dos entes queridos que ficam esquecidos o resto do ano. Uns por fé, outros para se vestirem de preto e branco e arejar a roupa que cheira a naftalina. Óculos escuros de aros largos que não deixam trespassar o olhar do sentimento. Muitas vezes os olhos dizem toda a verdade. A face da hipocrisia do nosso povo como hipócrita é a Constituição Portuguesa desrespeitada no seu laicismo e nos seus artigos do respeito pelo ser humano.

O toque das Trindades, esse por que fazia lembrar muito o tempo de meninice, incomodava-os. E, em nome da lei do direito ao silêncio, fizeram com que os sinos não mais tocassem a lembrarem-lhes que uma condicional, para que se criasse uma freguesia, os povoadores, teria de ter um Orago.
De silêncio em silêncio, como em surdina, se vai fazendo censura; auto censura, silenciando os jornalistas e o povo. Não levará muito tempo, só votará quem for filiado num Partido, porque quem não participa com eles é contra eles. Assim, o povo se afasta das urnas, como o diabo da cruz, porque não quer participar num acto de cidadania que já não sente, visto que só no futebol se vibra com hino e nas competições internacionais o subir da bandeira, ainda faz arrepiar alguém, e, por que não dizer: pode uma lágrima de alegria pelos sulcos da velhice correr. E há os que esfregam no olho como se um cisco tivesse entrado e deixasse de ver.

Quem alimenta esta situação? O quarto poder que eles querem fazer desaparecer. Uns, àqueles que falam frontal já o tentaram, mas agora o mundo da internet está aberto. Outros silenciando-os para que sejam apenas transmissores das conferências de imprensa na hora mais conveniente e de mais impacto.
Conferências de imprensa pré anunciadas com pompa e circunstância que vão ter declarações bombásticas na presença do Primeiro-ministro e do Ministro da Ciência, que declinam o convite; talvez por isso mesmo é adiada até “ad captandum vulgos”. E calam-se aqueles que fazem parte do colégio da reitoria, mas que são ignorados.
As trapalhadas são tão grandes até ao ponto de quererem eliminar partidos que querem instituir uma economia de mercado contra aquela que querem seja única com apologia da economia de plano aprovada pelo colectivo. Não era esta a política estalinista do genocídio? Enquanto não houver a coragem, se não por iniciativa parlamentar, perguntamos: pode ou não o Presidente da República referendar o povo português para uma revisão constitucional que não tenha mais de 70 Artigos em vez dos 70 x 7 que confundem os direitos e deveres do povo que esta Constituição rege e que 99,9% do povo desconhece? Nem sei se o Presidente da República para isso serve; por falta de Poder.

Nem a Virgem Maria, Padroeira de Portugal, que ainda não foi renegada, porque os laicos crêem Nela. E gritam por Santa Barbara quando o Céu troveja; nos dá essa alegria para que o Povo Português volte a ser aquele povo que não espera a migalha do subsídio e do emprego que todos os partidos dão aos seus filiados; devolverá a alegria aos portugueses. Pobretões e alegrões eram, mas agora, sentimos que o PREC regressou. A liberdade de reunião e de expressão foi extinta. No Tratado de Maastricht foi espezinhado o seu artigo que dá a livre circulação de pessoas e bens. Este, já não existe em Portugal. João Jardim está cheio de razão. Eles, os donos da pátria, dizem que há um défice de democracia na Madeira. Verdade mais verdadeira não há. Défice quer dizer: excesso de consumo sobre a produção. Foi o que lá encontrei na última passagem de ano: excesso de liberdade para passear, andar e entrar em todo lado. A Igreja que se cuide, porque há que tocar a rebate, porque eles só querem défice para poderem recorrer aos subsídios, exercendo um superavit de poder sobre os cidadãos que não votaram neles. Introduziram à margem da Constituição um excídio à vontade da extrema-esquerda. Porque esta sim pode exceder-se e sobreviver na sua democracia pós 25 de Abril.

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