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Troco o olé pelo olá
Quinta-feira, 05.03.2007, 11:01pm (GMT-1)

Abril ainda ia a meio e a imprensa local já dava conta da realização de mais de duas dezenas de toiradas à corda no mês de Maio, na ilha Terceira.




Para o dia de amanhã, feriado, que marca o arranque da época taurina, estão agendadas quatro corridas – Fonte da Ribeirinha, Fonte da Vila de São Sebastião, Fontinhas (Cabouco) e Corpo Santo.
Os aficcionados fazem as suas escolhas tendo em conta, principalmente, as ganaderias que estarão representadas nas toiradas, as quais arrebitam paixões que um leigo na matéria, como eu, só consegue fazer constatar.
Já que não “apanho” nada ao nível técnico, sempre posso falar do aspecto que me causa maior atracção na festa brava, ou seja, o convívio social.
Troco, seja qual for a circunstância, um olé ao toiro pelo olá a uma das inúmeras miúdas vistosas que fazem dos quintais dos arraiais um autêntico bálsamo para os olhos dos que gostam de enfrentar o perigo na estrada.
Mas, como a rua foge-me debaixo dos pés logo quando é lançado o primeiro foguete de aviso, a tasca também não deixa de ser o refúgio perfeito para acalmar os nervos e reflectir muito seriamente sobre o “quinto toiro”, que reúne a preferência generalizada dos que vão à toirada em nome do petisco saboroso e da boa pinga.
Na tasca, ou na casa de algum familiar, amigo, desconhecido ou nem isso, é sempre possível manter viva uma das máximas que levo para estas andanças: muito mais importante do que ver o toiro, é o animal não me pôr a vista em cima…
Depois, quando alguém pergunta se a toirada foi boa (às vezes a classificação tem a ver com o número de marradas…), lá argumento que a morcela e o vinho de cheiro eram de estalo.
O espectáculo das toiradas à corda prolonga-se até meados de Outubro. O fenómeno é muito mais abrangente do que a componente festiva. À sua sombra, gera-se um movimento económico difícil de calcular.
Há rituais que enchem o espírito dos verdadeiros apaixonados. Buscar o gado bravo ao mato, estar ao pé das gaiolas na hora de saída do toiro, apreciar a habilidade do capinha.
São sensações que ocupam lugar nas veias e dão à existência humana uma liberdade que só tem paralelo com a bravura dos toiros.
Tenho um amigo, ligado à organização da toirada da Fonte da Ribeirinha, e que depois do renovado convite anual da matança do bicho na sua casa, dava conta, na manhã do último sábado, da trabalheira que já tinha tido a arrumar o império.
Acto contínuo, afiançou que, depois do esforço, fora compensado com uma aguardente de se lhe tirar o chapéu.
Não sei bem porquê, mas estou inclinado a dar um saltinho à Ribeirinha no 1º de Maio…