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Opinião
 

Quem pára o genocídio no Darfur?


Quinta-feira, 05.03.2007, 11:02pm (GMT-1)

Disperso em centenas de tribos, com mis de uma centena de línguas diferentes, o maior país de África, com os seus trinta e oito milhões de habitantes, na verdade, nunca deixou de ser corredor e fonte de tráfico humano de milhões de africanos, sobretudo para satisfazer apetites arabizados.

O que se passa no Sul, na região do Darfur, traz insónias a António Guterres, o Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados.
E, não é para menos, pois naquele país, há cinquenta anos independente, não pararam nunca os raptos, violações e genocídio das populações do Sul, negras, animistas e cristãs. Sobretudo quando, em 1991, se instaurou a “chária” islâmica, tão ao gosto dos fundamentalistas islâmicos, que desde Fevereiro de 2003, chacinaram mais de duzentas mil pessoas e obrigaram mais de dois milhões a abandonar as suas casas e a recolherem-se em campos de refugiados, no Sudão ou no vizinho Chade.
Assim, a pátria de Santa Josefina Baquita, cinco vezes vendida e comprada como escrava e o coração de São Daniel Comboni, que tanto se deu à terra sudanesa, mais parece um campo de extermínio, no meio de desertos, do que terra de gente do século XXI.
Domingo passado, milhões de pessoas manifestaram-se, em trinta e cinco países, contra o conflito no Darfur, exigindo que se aplicasse a resolução 1706 do Conselho de Segurança. De Washington. Londres, Roma ou Israel, muitos dos que se manifestaram foram liderados por gente famosa, sobretudo do mundo do espectáculo. Gostaríamos de acreditar que os países ditos civilizados saibam ser solidários com as vítimas de tal genocídio.
Sinceramente duvidamos! É que nesse deserto de miséria e de genocídio descobriram-se jazidas de petróleo, que parece valer mais do que o sangue de milhares ou milhões de vítimas, sobretudo da indiferença da Comunidade Internacional. Há uns anos atrás não souberam deter o genocídio do Ruanda!
É que isto de democracias solidárias é moda que pega, sobretudo em campanha de eleições, mas não tanto no campo da acção concreta da defesa dos mais pobres dos pobres, desapossados das suas terras e das suas vidas. Não nos julguemos os menos responsáveis por tal desinteresse, talvez chorando alguma lágrima pelas imagens televisivas, mas sem consequência nas nossas atitudes perante os grandes do mundo!

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