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Opinião
 

Habitável


Domingo, 05.20.2007, 10:53am (GMT-1)

O último dia da Assembleia Geral da Rede Europeia de Excelência que trata da biodiversidade marinha (MARbef) passámo-lo entre Sopot e Gdansk.

O grupo grande ia ficando mais estruturado pelos diferentes temas e projectos daquela rede de investigação, mas isso apenas serviu para tornar as reguniões de âmbito geral mais produtivas. Trata-se apenas de um processo de consulta a um grupo de investigadores europeus sobre o que deve ser feito com o Livro Verde da Política Marinha Europeia, com os projectos de investigação sobre os mares e com as interacções com outras iniciativas europeias como a Política Comum para as Pescas, a Implementação da Directiva Quadro da Água ou o Desenvolvimento da Rede Europeia de Áreas Protegidas. O que nos vale é que as posições dos diversos investigadores são sempre fortemente defensoras dos interesses das suas egiões, o que vai enquadrando a função da União Europeia mais como mobilizadora e comunicadora do que como reguladora.

Os problemas que ontem vos falei foram facilmente resolvidos. Os novos casos de estudo que nos foram propostos foram aceites e ainda bem. Também ficou mais claro quem desenvolve as metodologias, quem as aplica e quem propõe formas de integrar as diversas abordagens para cada um dos estudos de caso. Fiquei igualmente contente porque nos pediram para repetirmos o Curso de Formação que organizámos há um mês em Faro. Conforme vos disse foi em Faro porque, devido à política aérea do nosso governo regional, organizar um curso de formação europeu em Faro é metade do preço do que promovê-lo nos Açores. Talvez que, para o ano, o Governo Regional já tenha uma política aérea mais decente, ou então queira compensar os alunos que nos vêm de todo o lado financiando parte das suas viagens. Aliás é o que costuma fazer com os turistas nórdicos que vão para São Miguel.

O último dia de reunião foi também para saber dos novos encontros, de novas formas de financiamento e de novas ideias para compatibilizar perspectivas diferentes com efectividade. Em Agosto há uma reunião em Plymouth sobre a relação entre a Biodiversidade e os Bens e Serviços que por ela são providenciados. Uma boa altura para enviar biólogos e engenheiros do ambiente em vez de economistas. Depois, em Novembro, teremos uma nova reunião para discutirmos os dados que foram recolhidos durante o verão pelos alunos de mestrado e doutoramento nos vários sítios marinhos das costas europeias. Talvez seja em Paris, mas Roskilde, na Dinamarca, e as Ilhas Scilies, no Sudoestes da Inglaterra também se ofereceram. Finalmente, em Novembro de 2008 haverá uma Conferência Mundial sobre Biodiversidade Marinha em Valência. Pela nossa parte teremos um doutoramento nos Açores, outro na Polónia e mais três ou quatro mestrados. Isto para além da metodologia que vamos propor para valorar económicamente a biodiversidade marinha poder ser aplicada do Ártico ao Quénia.

O jantar foi em Gdansk antecipado por uma visita à cidade com a mesma guia que guiou o Príncipe Carlos de Inglaterra, como nos disse com orgulho. O interessante foi o entusiamo que pôs na apresentação e a interacção que foi estabelecendo com os turistas através da distribuição de bom-bons à medida que fomos respondendo às perguntas que relacionavam os nossos países com o porto de Gdansk.

Também foram simpáticas as conversas de despedida. Uma irlandesa disse-me que a Polónia iria ser o novo país a arrancar para o desenvolvimento na Europa, a atender pela deslocação de investimento americano da Irlanda para a Polónia. Um aluno de doutoramento holandês relembrou-me que o risco é que cria valor. O Filipe Porteiro do Departamento de Oceanografia e Pescas deu força à nossa mesa para divulgarmos as Filosofias Portuguesas a estes bárbaros do norte (não gostam nada do nome). E o Tomaz de Gdansk, deu-nos o conhecimento necessário para nos sentirmos em casa. Com essa informação Gdansk é habitável.

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