TAP: Um serviço público vergonhoso
Quinta-feira, 02.21.2008, 01:27pm (GMT-1)
Pedro Borba
São voos extra, muitos voos, por causa da época festiva, mas a pouca vergonha é sempre a mesma. Um caso só (para não cansar) até porque todos os dias são vários os sucedidos lamentáveis.
A empresa TAP Portugal realizou na passada quarta-feira (dia 2 de Janeiro) três ligações Lisboa-Terceira-Lisboa.
A primeira chegou dentro do estipulado (8h35) e embarcou dentro do previsto (9h35); o segundo voo era esperado para as 9h35, mas só aterrou às 11h10; o terceiro avião já nem quis saber.
Pego no caso número dois. A horas, em Lisboa, procedeu-se ao embarque dos cerca de 200 passageiros que reservaram lugar no A310 da companhia aérea paga com os impostos de todos nós. O problema é que durante uma hora e meia os passageiros, com bagagem de mão e muitos (mesmo) com crianças que se haviam levantado de madrugada para estarem a tempo no Terminal 2 da Portela, foram embarcados para dentro de um autocarro.
Este autocarro atulhado (qual hora de ponta) esteve no mesmo sítio imobilizado cerca de 55 minutos, até que o desespero, reclamações e protestos dos passageiros “enjaulados” (qual vara a caminho do matadouro) era de tal maneira audível que os funcionários da TAP e do aeroporto decidiram engatar a primeira. Foi uma viagem agradável até ao Airbus “Vitorino Nemésio”, mas chegados ao aparelho a espera, dentro do autocarro, voltou a rondar os 35 minutos. A justificação dada quando, novamente, os passageiros começaram a manifestar-se contra esta pouca vergonha foi a de que “as senhoras da limpeza estavam a acabar de aspirar o avião”.
Não tenho nada contra a limpeza, aliás, bem pelo contrário, mas o embarque para o autocarro (bem vulgar por sinal) é excessivo. Se o voo estava atrasado, se o avião não estava limpo e se o Terminal 2 da Portela existe para os voos domésticos, porque é que não deixaram as pessoas (que pagaram um balúrdio pelo bilhete) à espera em melhores condições (leia-se dentro do Terminal)?
Os açorianos, infelizmente, já estão habituados a serem tratados como animais quando se têm de sujeitar a viajar na TAP, mas para todos aqueles que não são das ilhas e que se veem a braços com uma situação desta natureza é motivo, mais do que suficiente, para não quererem vir mais aos Açores.
Não sou dos mais viajados, mas já andem por aeroportos como o de Paris, Bruxelas ou São Francisco (dos maiores do mundo) e viajei em companhias como a Air France, Virgin, SATA Internacional, entre outras, e nunca tal me aconteceu.
Em conclusão, estamos perante um caso claro de falta de programação, planeamento, organização e falta de respeito por quem paga e bem para chegar ou sair da sua terra.
A TAP usa e abusa nos voos que faz para os Açores… e não me venham dizer que é porque a rota não é lucrativa! Lucrativa ela é e muito. Caso contrário não haveria, por parte da própria TAP, a necessidade de efectuar voos extraordinários em várias épocas do ano.
É triste que em pleno Século XXI, num país que consegue desideratos como a assinatura de um tratado internacional e que é parte integrante de uma Europa desenvolvida, tais repugnantes acontecimentos sucedam.
Neste sentido, aplaudo daqui a iniciativa recente do Presidente e Líder Parlamentar do CDS-PP Açores, Artur Lima, que (ao contrário de outros que preferem defender os interesses das companhias e de outros que preferem defender os interesses político-partidários) tenha proposto a realização de um trabalho de fiscalização das condições em que esta empresa pública (sublinho PÚBLICA) presta serviço público (ressalvo SERVIÇO PÚBLICO) para as nossas ilhas.
Espero sinceramente que mais esta louvável posição assumida pelo tal partido que outros dizem “não existir” ou que adjectivam de “borboletas” tenha consequências práticas na melhoria da prestação do serviço da TAP.
Estou convicto que a Autonomia, caso queiram os seus principais intervenientes, pode ter um papel fundamental na defesa daqueles que escolheram a Autonomia para viver.
Já agora, uma palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido por Artur Lima em prol dos açorianos, desejando que este ano novo seja um ano de renovadas energias para continuar a defender quem mais precisa. Para todos, um feliz 2008.
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