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Opinião
 

Os 50 anos do Tratado de Roma


Domingo, 04.01.2007, 11:48am (GMT-1)

Ao comemorarmos os 50 anos do Tratado de Roma estamos, antes de mais, a comemorar meio século de paz no Velho Continente.

A Europa foi construída sobre as cinzas das guerras e significou a paz, o progresso, os direitos humanos e a liberdade que nunca o continente tivera na sua história.

Crónicas de Lá e de Cá

Duarte Freitas

Contudo, hoje já poucos percebem que muita da dedicação que, por exemplo, Helmut Khol prestava à causa da reunificação e do projecto europeu bebia força interior numa história familiar de sangue derramado e mortes durante as duas guerras mundiais do Século XX.

Hoje poucos saberão que, por exemplo, Hans Gert Pottering, presidente do Parlamento Europeu, ao defender o projecto europeu presta também homenagem ao pai que não conheceu, morto na II Guerra pouco antes dele nascer.
E se nós, portugueses e açorianos, vivemos ao largo do epicentro geográfico destes conflitos e apenas analisamos estas questões pela frieza dos livros de história, as novas gerações de europeus também já esqueceram as raízes do processo de construção europeia.

Os europeus dão hoje a paz por adquirida e inquietam-se com outras matérias completamente diferentes como a manutenção da nossa sociedade de bem-estar, o desemprego, o ambiente ou a globalização.
O projecto europeu tem pois hoje de responder a estas e outras inquietações dos nossos tempos.
Para tal, as políticas e acções concretas podem dar um contributo decisivo, seguindo uma estratégia de pequenos passos que também faz parte do acervo histórico do sucesso europeu.

Desafios relativos ao ambiente, à questão energética, aos oceanos, até à salvaguarda da matriz do modelo social europeu e sua adaptação aos desafios da competitividade e globalização poderão encontrar soluções políticas a nível comunitário com evidentes mais valias no espaço interno, mas também dando sinais ao mundo de como poderemos somar progresso, solidariedade e competitividade respeitando o ambiente e os direitos humanos.

Um exemplo recente, que mostra como se pode convocar os cidadãos para o projecto europeu e de como podemos dar um contributo liderante ao mundo, foi dado no último Conselho acerca das alterações climáticas.
Mas há também que exigir mais responsabilidade e verdade aos políticos. Tem sido fácil e frequente “comunitarizar” os problemas e “nacionalizar” soluções, isto é, a hipocrisia de muitos políticos leva-os a responsabilizar Bruxelas pelas exigências e obscurecer a influência da União Europeia em muito o que de bom temos tido.

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