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Opinião
 

A Paixão dos pobres


Domingo, 04.01.2007, 11:50am (GMT-1)

É frequente observarmos a constante tentativa de desviar as atenções do cidadão comum, dos reais problemas do nosso quotidiano, da comunidade em que nos colocaram e do mundo em que vivemos.
Os media, apostados em grandes audiências, tornam-se instrumento tentador de domínio, mesmo nas apostas de entretenimento e de concursos, como se tem visto.

Isto de olhar objectivamente, para a realidade em que vivemos mergulhados, pode causar alguns calafrios, sobretudo, para quantos, instalados nos seus pelouros, têm medo de descer às valetas da nossa sociedade. Não vão ser conspurcados pelos que reviram o lixo para matar a fome.

É mais sedutor anunciar milhões para grandes projectos, mesmo que de combate à pobreza, do que atender a urgente necessidade de quem precisa dos cuidados básicos para sobreviver neste mundo do politicamente correcto. E o sacramento da Caridade, feito pão nosso de cada dia, parece não encaixar nos esquemas ditos sociais, mas que nos fazem pasmar perante o escândalo das velhas e novas pobrezas.

As promessas mil vezes repetidas de acabarem com a pobreza, nas suas diversas formas deparam com a morosidade de quem pena os olhos da cara para sobreviver, para ter uns míseros euros para os remédios prescritos pelo médico. E lá vamos, rindo e chorando neste vale de lágrimas, enquanto uns tantos se sentam na cadeira dos privilegiados e outros esperam como Lázaro umas migalhas para enganar a fome.

Não há que ter ilusões, quando a fome aperta, sobretudo a fome de valores e a sede de justiça, que tarda a muitos, a revolta dos humildes é pacífica, mas os seus gritos silenciosos, poderão não ser ouvidos nos areópagos. Mas certamente ajudarão à autêntica revolução dos que se identificam com a Paixão do Crucificado. Não há Domingo de Ramos sem a Paixão, nem Sexta-feira Santa sem Páscoa!

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