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Negócios Domingo, 04.01.2007, 11:51am (GMT-1) Foi há uns meses que lançámos a Página de Negócios da responsabilidade do Pedro Ferreira. Esse lançamento envolveu algumas preocupações de dentro e previsíveis críticas e avisos de fora.
Os receios tinham a ver com a deontologia jornalística que impede, e bem, que as notícias sejam feitas a troca de dinheiro para o jornal ou para o jornalista. A vantagem tem a ver com o facto de grande parte da actividade que interessa às pessoas e é notícia emana das empresas e dos seus negócios. De que nos serve relatar as supostas notícias que nos são enviadas pelos gabinetes governamentais, em constante propaganda política, se vamos perdendo a vida que vai pulsando na iniciativa das empresas, designadamente aquela que tem a ver connosco como clientes, fornecedores, sócios ou empregados? De notar que subjacente a esta nova atitude da comunicação social face às empresas está a ideia fundamental de que o desenvolvimento se faz muito mais através dos investimentos da iniciativa privada, nomeadamente aqueles que são orientados para a exportação, e que não resulta manifestamente dos muitos milhões gastos em infra - estruturas, das inúmeras primeiras pedras que perturbarão qualquer arqueólogo do terceiro milénio, das lápides que matam antes de tempo as pessoas que ali se incrustam, e dos discursos sem conteúdo e sem forma que se repetem a partir dos copy-paste dos computadores dos assessores políticos, e que à noite relampeiam em imagens engravatadas de écrans televisivos. Assume-se também que as empresas têm uma função social e comunitária essencial. O objectivo de maximizar o lucro por parte dos empresários só é sustentável quando orientado para o serviço dos utentes e com a garantia de dividendos dos accionistas que para ali canalizaram as suas poupanças. O resultado da garantida de emprego bem remunerado só é suportável no longo prazo se cada empregado gerar muito mais produto daquele que recebe. A externalidade positiva de criar um ambiente inovador na cidade só é viável com base na confiança entre todos os que fazem parte da função de produção urbana. Não foi sempre assim e muitos jornalistas ainda pensam ao contrário. Acreditam que tudo o que vem do Estado é bom e que tudo o que vem das empresas privadas é mau. Julgam que a defesa do interesse do público se consegue pela publicidade dos que se arvoram do público. Assumem que o grande, seja ele de empresas públicas ou do Estado, tem um impacto mais benéfico para todos do que a soma das pequenas iniciativas que povoam o tecido empresarial de uma sociedade. Pressupõem que as empresas estão sempre predispostas a enganar os clientes e o Estado, e esquecem-se que esse mesmo Estado vai arrecadando dos seus fundos através das actividades das empresas para depois gastar as verbas recolhidas em aplicações de interesse duvidoso. Isto não quer dizer que não haja empresas menos sérias e que, pelos crimes que possam vir a cometer, sejam notícia pela negativa. Mas quantas coisas boas há todos os dias para contar e que interessam a todos nós. Nada disto significa que as empresas não continuem a publicitar a sua actividade rotineira como vão fazendo cada vez mais no jornal e ainda bem. Mas isso não impede que informemos sobre os investimentos que se vão fazendo e que são sinais claros da melhoria de bem-estar dos açorianos. A grande vantagem de noticiar negócios é que não nos comprometemos com o seu resultado. Lucrar e falir fazem parte da destruição criativa que acompanha qualquer processo de desenvolvimento. Hoje noticiamos a Loja de Vendas no Aeroporto das Lajes de iniciativa da Câmara de Comércio de Angra. Não sabemos se tem apoio do Governo mas, mesmo que o tenha, só é sustentável se conseguir vender produtos a quem parte de avião. Negócios são assim, testáveis. E isso é que os torna sempre notícia. |
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