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Opinião
 

Mundo Árabe no Parlamento Europeu


Segunda-feira, 04.09.2007, 01:24pm (GMT-1)

A meu convite, os mais altos representantes diplomáticos da generalidade do Mundo Árabe junto da União Europeia – com a notável excepção da representação diplomática do Iraque – aceitaram o convite que lhes fiz para uma discussão no Parlamento Europeu sobre o drama dos refugiados iraquianos e o papel dos países de acolhimento.

Paulo Casaca

Juntei assim à mesma mesa os embaixadores do Egipto e da Jordânia – oradores convidados – os Embaixadores da Arábia Saudita, da Líbia, da Síria, do Sudão, da Tunísia, das Comores, da Liga dos Estados Árabes e do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo, bem como representantes diplomáticos do Kuwait e do Iémen e da Missão Regional do Curdistão Iraquiano, a fim de dialogar com representantes da Comissão Europeia, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, de várias Organizações Não Governamentais e da imprensa.

À partida quis enviar uma mensagem de agradecimento aos diplomatas jordanos e – sobretudo – egípcios pela prontidão com que aceitaram colaborar comigo na montagem de uma operação de evacuação de refugiados iraquianos, sem esquecer naturalmente o papel do Engenheiro António Guterres e dos seus colaboradores no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e das autoridades regionais do Curdistão Iraquiano.

Confesso que fui agradavelmente surpreendido pela amabilidade das palavras e dos elogios de que fui alvo, que sem dúvida mostraram que o rancor expresso pelo regime iraniano – evidenciado pela operação de descrédito que lançou contra mim através de alguma imprensa portuguesa – não intimidou os países árabes que tentam barrar o caminho ao imperialismo fanático.

O mundo árabe chegou ao século XXI de costas voltadas para a democracia, obcecado pelo fantasma de Israel e do sionismo, uma sociedade e economia do terceiro mundo confrontadas com a ameaça da revolução islâmica.
O Ocidente encontrou-se dividido perante esta realidade. Por um lado, vimos a lógica do apaziguamento, a política da avestruz que acha que se entregarmos Israel, se taparmos os olhos à barbárie que ensanguenta o mundo islâmico em nome da religião e se esperarmos que a bomba atómica do fanatismo se revele tão inócua como o arsenal nuclear soviético na guerra fria, tudo se resolverá como por encanto.

Por outro lado, vimos um plano de democratização do mundo árabe que ignorou ostensivamente todos os dados do problema, que se deixou manipular pelo fanatismo iraniano e que, em vez de promover a paz, a tolerância e a democracia no Iraque e no resto do mundo árabe, fez exactamente o contrário, entregou esse país ao regime clerical iraniano e seus agentes assumidos ou por procuração.

Utilizando uma expressão muito popularizada, temos agora que apanhar os cacos e começar não do zero, mas bastante abaixo do zero, com um Iraque desfeito pela limpeza étnica inspirada, financiada e organizada a partir de Teerão, líderes do mundo árabe mais fechados a qualquer abertura democrática e liberalizadora, a perspectiva de uma guerra sectária e fratricida à escala de todo o grande Médio Oriente, a teocracia iraniana mais segura de si e a renovar as suas acções de tomada de reféns ocidentais e de desestabilização da Palestina e do Líbano.

Pouco interessa chorar sobre o leite derramado. A minha proposta foi e mantém-se a de pegar no que há de mais essencial (o drama dos refugiados iraquianos) e fazer dele a primeira plataforma de um entendimento para fazer face à barbárie.

Sob o patrocínio de António Guterres, vamos ter uma conferência internacional sobre os refugiados iraquianos em Genebra a meados de Abril. É este o ponto de partida mais importante para um novo começo.

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