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PS/AÇORES NA MIRA - Quebra de disciplina de voto nos socialistas


Sexta-feira, 04.13.2007, 10:10am (GMT-1)

Dirigentes da bancada socialista acusaram ontem o PS/Açores liderado pelo presidente do Governo Regional, Carlos César, de ter pressionado os três deputados eleitos pela região para quebrarem a disciplina de voto na sessão plenária de quarta-feira.

Quarta-feira, o PS aprovou no Parlamento, na generalidade, diplomas do BE e PCP que alargam o regime de incompatibilidades aos deputados das regiões autónomas, mas Ricardo Rodrigues, Luís Fagundes Duarte e Renato Leal, os três eleitos pelo círculo dos Açores, votaram contra.
A um mês das eleições madeirenses, os diplomas dirigem-se especialmente à Assembleia Legislativa Regional da Madeira, que, ao contrário dos Açores, não adoptou para os seus deputados o regime de incompatibilidades aplicado aos deputados nacionais.

A questão foi ontem discutida na reunião da bancada socialista, levantada pelo deputado eleito pela Madeira Maximiano Martins, que se insurgiu contra a "surpresa de última hora" que foi o sentido de voto dos seus colegas eleitos pelos Açores.
Em declarações à agência Lusa, dirigentes da bancada socialista acusaram o PS/Açores liderado por Carlos César de ter pressionado os deputados para quebrarem a disciplina de voto e disseram que a direcção tentou por várias formas evitar essa situação, sem sucesso.

"A direcção tentou demovê-los, mas os deputados dos Açores, pressionados pelo Governo Regional, não cederam. Em minha opinião, é lamentável", declarou Mota Andrade. "Os Açores tiveram necessidade neste momento difícil de dar uma prova de vida", acusou o dirigente da bancada socialista.
Mota Andrade lembrou que a Assembleia Legislativa Regional dos Açores já aplica o mesmo regime de incompatibilidades que o Parlamento, ao contrário da Madeira, onde, afirmou, "existe uma situação inadmissível de promiscuidade".

"Os Açores e o presidente do Governo Regional dos Açores é que têm de dizer se concordam com o que se passa na Madeira", desafiou Mota Andrade, considerando que houve por parte dos deputados eleitos pelos Açores "uma quebra de solidariedade".
Outro dirigente da bancada disse à agência Lusa que foi Carlos César quem indicou o sentido de voto aos deputados eleitos pelos Açores, enquanto um terceiro dirigente da bancada adiantou que lhes foram sugeridas alternativas ao voto contra, não aceites.

Questionado pela agência Lusa, Ricardo Rodrigues, também dirigente da bancada socialista, referiu-se à quebra da disciplina de voto como "um facto natural no Parlamento que não compromete a sustentabilidade que o grupo parlamentar do PS tem de ter para com o Governo".
Ricardo Rodrigues não quis prestar quaisquer outras declarações sobre este assunto.

Segundo deputados socialistas, na reunião de ontem, o deputado eleito pelos Açores reconheceu que o voto contra não foi anunciado nem discutido previamente aos colegas de bancada - apenas sendo informado à direcção - e justificou-o com a defesa da autonomia regional.

Na altura, de acordo com deputados socialistas, o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, declarou que a direcção foi informada do sentido de voto dos três deputados mas não deu o seu aval à quebra da disciplina imposta à bancada.