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Afirma Mestre - “Temos o apoio dos Romeiros de São Miguel” Domingo, 04.01.2007, 11:41am (GMT-1) O Rancho de Romeiros do Santuário de N.ª S.ª da Conceição “conta com o apoio dos Romeiros de São Miguel”.
As afirmações são do mestre do agrupamento que fala “não em copiar, mas em reactivar” uma tradição terceirense. Humberta Augusto (texto e fotos) “Temos o apoio dos Romeiros de São Miguel”, afirma Hélder Ávila, o mestre do Rancho de Romeiros do Santuário de N.ª S.ª da Conceição que nos dias 15 a 18 faz-se às estradas da ilha Terceira para percorrer ermidas e igrejas numa caminhada de fé quaresmal de rezas e cânticos. No entender do responsável pelo grupo de, para já trinta católicos envolvidos, “não se trata de copiar, mas de reactivar” uma tradição da ilha que sustenta, é comprovada pelas infra-estruturas de apoio aos romeiros ainda existentes na Terceira. “Todas as pessoas que pensam que se trata de uma cópia dos romeiros de São Miguel é porque desconhecem a existência das Casas de Romeiros”, aponta ao jornal “a União” Hélder Ávila, que datam do séc.XVIII e que, adianta, estão bem conservados nos exemplos da Casa dos Romeiros da Serreta e de Santa Bárbara. Lembra a memória dos mais velhos, acrescenta, que a indumentária usada nessas peregrinações, com destaque para as várias procissões dos abalos, é muito semelhante à usada em São Miguel: “o xaile, o lenço, o bordão e a sovadeira(saco)”, anota. Reconhecimento entre ilhas Críticas à parte, “os irmãos não estão minimamente preocupados com esta questão”, afirma o Mestre. Até porque, conta, “tivemos um rancho de romeiros de São Miguel que já estavam na rua e uma das suas intenções foi rezar pelos romeiros da ilha Terceira para que a caminhada fosse um sucessos que continuasse por muitos anos”, disse. O Mestre afirma que este é um reconhecimento “muito importante” para o agrupamento terceirense uma vez que “há determinadas coisas que o regulamento da romarias não diz”, facto que tem levado o rancho terceirense a falar com os romeiros de São Miguel: “temos mantido contacto com os irmãos de São Miguel que têm sido de uma amabilidade sem palavras, seja a que hora for”. Semelhanças e diferenças É com base no regulamento dos Romeiros de São Miguel, aprovado pela Diocese de Angra, que o colectivo da ilha vai estruturar a sua caminhada espiritual, estando a principal diferença no pernoitar que a caminhada contínua obriga. Enquanto que em São Miguel os romeiros pernoitam em casa de particulares, na Terceira, a logística, este ano, vai acontecer em salões e casas paroquiais, “porque este ano as casas de romeiros não estavam preparadas”. A recuperação destes imóveis é algo que a breve trecho, aponta, terá de ser equacionada e posta em prática para as futuras edições da romaria quaresmal. “Este ano vai ser como o fermento de um pão. Se for bem feito, o pão vai crescer”, afirma o mestre do grupo que quer “fazer uma Romaria o mais dignamente possível”. É sob o tema da principal reflexão da romaria – “Da Eucaristia ao Dia de Semana”– que ao longo de quatro dias os romeiros vão dar a volta à ilha Terceira, segundo um itinerário que tem partida e chegada na Igreja da Conceição. Hélder Ávila afirma-se “muito honrado” com a função atribuída, sobretudo por estar muito ligado à paróquia e à prática ligada à Igreja. Regras a cumprir “O percurso será feito, por regra, no sentido dos ponteiros do relógio” – este é apenas uma das regras que constam do regulamento do Romeiros de São Miguel que aponta que a saída deverá acontecer “antes do alvorecer”. Cada rancho tem de ter um Mestre, um Contra-Mestre, procurador-de-Almas, Lembrador-de-Almas, dois guias e dois ou mais ajudantes. Durante os dias da romaria, todos os irmãos têm de participar na eucaristias diariamente, observar silêncio em todo o percurso, rezar, cantando a “Avé Maria” e todas as saudações comuns, levar terço, lenço de lã, saca para a comida e um bordão. “Os romeiros não podem: fumar, comer ou beber ou falar com o rancho em movimento; sair do rancho e entrar em qualquer loja ou estabelecimento sem autorização prévia do Mestre, que apenas a dará em caso de absoluta necessidade; fazer penitências especiais sem conhecimento do Mestre; dar esmolas isoladamente durante a caminhada, sem o consentimento do Mestre; abandonar o rancho; visitar parentes ou amigos nas freguesias onde o rancho passar; usar telemóvel (o Mestre poderá autorizar o uso de um telemóvel no Rancho para casos e emergência); levar consigo bebidas alcoólicas; sair de noite depois de recolhidos”, estas são outras das obrigações dos romeiros. |
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