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Romeiros na Terceira
Domingo, 04.01.2007, 11:43am (GMT-1)
Está de momento a preparar-se na ilha Terceira um rancho de romeiros que pretende encetar a primeira romaria no dia 8 de Março.
Esta Quaresma
Os promotores apontam razões de tradição, mas sobretudo motivos de fé e da vontade de exercer uma caminhada quaresmal.
Está agendada para o dia 8 de Março uma romaria quaresmal na ilha Terceira. A iniciativa é promovida por um conjunto de cidadãos que a justifica com a vontade de exercer uma vivência quaresmal. Isso mesmo referiu ao nosso jornal, o pároco Francisco Dolores: “trata-se de uma questão de fé e de caminhada quaresmal diferente”.
O contexto histórico é outros dos argumentos que traz para a ilha Terceira uma tradição que todos os anos faz mover em redor de São Miguel centenas de romeiros. “Existiram até ao Século XIX casas de romeiros na ilha Terceira”, afirma. A provar, conta está a casa de romeiros de Santa Bárbara, erigida junto à Ermida de N.ª S.ª da Ajuda. Porém outros casos, são registados na história, como os que estão registados nas “Ermidas da Ilha Terceira”, P.e Lucas: “existem casas de romeiros junto às ermidas de São Roque em Angra; S.ª da Esperança no Porto Judeu; N.ª Sª dos Remédios nas Lajes e parece que na Ermida de São Vicente Ferreira em São Mateus”, aponta o pároco. Outro exemplo que dá é o da casa de romeiros na Ermida da Santinha do Mato.
Vontade e história
“A história poderá dar elementos, mas o que se justifica é a vontade de um grupo de homens, alguns dos quais já participavam em São Miguel, que gostaria de fazer uma romaria passando pelas ermidas da ilha Terceira”, aponta Francisco Dolores.
No seu entendimento, algumas das actuais manifestações religiosas que decorrem na ilha surgem de “romarias antigas” entretanto perdidas: “o que resta dessas romarias antigas são o caso das Procissões dos Abalos, que se celebram nas freguesias do Raminho, Doze Ribeiras, Santa Bárbara”. Portanto, para o pároco, não se trata de importar uma tradição, uma vez que: “ela faz parte da nossa cultura religiosa”. Questionado sobre o tipo de reacções que os romeiros terceirenses poderão causar, Dolores afirma que não se trata de “algo exclusivo de cada ilha”, recusando bairrismos nesta matéria.
Reuniões iniciam no Sábado
Para já, esta é uma iniciativa que está a recolher interessados e a estruturar a forma como futuramente serão implementadas as romarias na ilha Terceira. O primeiro encontro de preparação vai decorrer o próximo Sábado, dia 23 de Fevereiro, estando aberto às pessoas que queiram integrar os ranchos de romeiros. “Queremos ver o interesse das pessoas”, disse o P.e Dolores.
Posteriormente, explica, existem regras a cumprir, até porque, explicou, os Romeiros de São Miguel têm estatutos definidos em sede de Diocese, sobre o qual cada rancho desenvolve as suas actividades. O mesmo cenário terá de ser adaptado à ilha, disse, mas para já, o mais importante está na reunião de, pelo menos 20 pessoas, para que a romaria assuma contornos de realidade.
Quatro dias de caminhada
Para já, a romaria da ilha Terceira, prevista para o dia 8 de Março, Quinta-Feira, está estruturada em quatro dias. A partida, marcada para a madrugada desse dia, parte da Igreja da Conceição e após dar a volta a ilha, termina no mesmo local no Domingo, dia 11 de Março. O itinerário do primeiro dia é o seguinte: Posto Santo, São Mateus, Terra Chã, São Bartolomeu, Cinco Ribeiras – local onde está prevista a descida ao Porto das Cinco e, pelo litoral, a primeira paragem na Casa dos Romeiros de Santa Bárbara.
No segundo dia, rumam à Serreta, onde será celebrada uma missa, depois Raminho, Altares, Biscoitos, Quatro Ribeiras, pernoitando na Agualva. O terceiro dia é dedicado ao Ramo Grande, começando pela Vila Nova, São Brás, Lajes, Fontinhas, as freguesias urbana da Praia da Vitória, Cabo da Praia, Porto Martins, Fonte do Bastardo, São Sebastião e Porto Judeu de Baixo. O regresso, no dia 11, começa na Feteira, Ribeirinha, São Bento, Santa Luzia, São Pedro, Sé e finalmente Conceição.
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