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D. ANTÓNIO DEFENDE - Esclarecido reconhecimento à função social da religião
Segunda-feira, 05.25.2009, 02:40pm (GMT-1)

O bispo de Angra, D. António Sousa Braga, defendeu 3ª feira, em Ponta Delgada, a necessidade de ser esclarecido o reconhecimento do Estado à função social da religião, alertando que estão em causa acusações infundadas de privilégios à Igreja Católica.

“Reconhece ou não o Estado uma função social à religião, independentemente das obras sociais e culturais que as confissões religiosas desenvolvem?”, questionou.

“Porque esta questão não está esclarecida, são, por vezes, contestadas, como se de privilégios se tratasse, algumas formas de apoio às actividades da Igreja Católica”, frisou D. António Sousa Braga.

O bispo de Angra falava na cerimónia de entrega da nova Igreja de Nossa Senhora de Fátima, construída no Lagedo, na zona alta de Ponta Delgada.

O novo templo católico, orçado em mais de três milhões de euros, tem capacidade para acolher 400 pessoas, tendo a sua construção sido promovida pela Câmara de Ponta Delgada.

Na sua intervenção, D. António Sousa Braga destacou o carácter “inédito” desta situação, aludindo ao facto da construção da igreja ter sido assumida pela autarquia, num terreno cedido pelo governo regional.

“Isto significa que o edifício foi considerado como uma estrutura ao serviço da comunidade. O que não é muito comum nestes tempos, em que campeia a tendência laicista da sociedade”, afirmou.

Para o bispo, “a religião tem uma função social, que não se reduz simplesmente à gestão de valências de carácter social, como se costuma repetir à saciedade, com uma concepção bastante restritiva da laicidade do Estado”.

“O Estado é laico mas não necessariamente a sociedade. Do ponto de vista religioso, é plural”, frisou, salientando que “por não ser confessional é que o Estado respeita e apoia a vivência religiosa de cada cidadão”.

Sonho concretizado

Por seu lado, a presidente da Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral, sustentou que a inauguração da nova igreja é “um sonho concretizado”, frisando que “esta obra demonstra que tudo é possível com o envolvimento de toda uma comunidade”

“A Igreja de Nossa Senhora de Fátima é uma conquista para a História que o próprio tempo se encarregará de reforçar”, defendeu, acrescentando que “esta é uma igreja para o século XXI”.

“Este é um templo bonito, imponente e condigno, onde a arte se assume como expressão das novas vivências de hoje”, salientou, recordando que já não se erguia um templo religioso de dimensão significativa na Ilha de S. Miguel há mais de meio século.

Para Berta Cabral, “esta é uma obra de toda uma geração, com a marca empreendedora do poder local”.

“Com a construção desta igreja, a Câmara de Ponta Delgada prova que os municípios podem e devem ir ao encontro das pretensões das suas populações nas mais diversas componentes do desenvolvimento integral”, afirmou.

A sagração da nova igreja realizou-se ontem à noite, numa cerimónia presidida por D. António Sousa Braga.