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Ano Paulino Carta aos Romanos
Segunda-feira, 05.25.2009, 02:44pm (GMT-1)
A situação de pecado do homem tem uma saída, de acordo com S. Paulo: o Evangelho permite ao homem superar esta situação negativa, que de outra forma se tornaria crónica e sem saída.
Ao acolher o anúncio, o homem é baptizado, torna-se assim cristão. O baptismo estabelece entre o cristão e Cristo um laço estreitíssimo de reversibilidade, de permuta de vida. A morte de Cristo com toda a capacidade de destruição do pecado que lhe é própria, passa para o cristão e liberta-o de toda pecaminosidade; a vitalidade típica de Cristo ressuscitado passa igualmente para o cristão com toda a riqueza contextual que implica: o dom do Espírito e a filiação. Paulo, nesta tentativa de unir num só filão de compreensão em profundidade todos os elementos que passam da situação de pecado à vida segundo o Espírito típica do cristão, filho de Deus, fala de justificação (dikaiosúne). A história da exegese é particularmente complexa nesta área, mas podemos afirmar, em termos gerais que a justificação, como a entende Paulo, é um equilíbrio - na linha da sedaqh (Justiça) veterotestamentária, da qual deriva - realizado por Deus, justo e que justifica” (Rm 3,26), entre a fórmula ideal do homem - imagem de Deus na fórmula de Cristo : cf Rm 8,9 - e a sua realidade histórica. Poderíamos dizer que só a justificação transformada em acto, isto é, acolhida, permite ao homem realizar-se plenamente tal como é. A justificação tem lugar já no agora da vida, no presente cristão, mas apenas em estado inicial. O tão desejado equilíbrio completo entre o projecto de Deus relativo ao homem e a sua actuação concreta, só poderá produzir-se plenamente a nível escatológico ( “tempo definitivo”, “últimas coisas”).
Dom gratuito de Deus, a justificação há-de ser aceite pelo homem. E a aceitação é, em sentido afirmativo e exclusivo, a abertura da fé, mediante a qual o homem aceita o Evangelho sem condições. O que no homem precede esta abertura carece de importância. A abertura da Fé – já explicitada na Carta aos Gálatas - certamente não é fácil, - e disso é uma prova a atitude dos judeus que não aceitam o evangelho fechando-se na sua justiça – mas ela compromete o homem numa relação de confiança total, de impetuosidade, em relação a Deus que é o único que possui o segredo da verdadeira identidade, da “justiça” de cada homem. Paulo ilustra a Fé de modo detalhado repensando o modelo da fé de Abraão «que acreditou em Deus que dá a vida aos mortos e chama à existência as coisas que não existem (Rm 4, 17 e todo o capítulo quatro).
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