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GARANTE ESPECIALISTA - Úlceras de pressão com “caso-estudo” nos Açores
Segunda-feira, 06.04.2007, 04:33pm (GMT-1)
Christina Lindohlm diz-se “impressionada” com o trabalho desenvolvido sobre a prevalência das úlceras de pressão nos Açores. A enfermeira sueca e representante da EPUAP (European Pressure Ulcer Advisory Panel/Painel Europeu para o Aconselhamento em Úlceras de Pressão) esteve presente nos trabalhos do Congresso Internacional de Investigação Científica de Enfermagem, que decorreram entre 17 e 19 de Maio no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, e garante que “este é um trabalho único”.
Humberta Augusto (texto e foto)
Os trabalhos que reuniram mais de 500 investigadores, docentes, enfermeiros e estudantes, apresentaram as conclusões de estudo sobre as feridas que surgem nas pessoas imobilizadas. A análise, surgida no âmbito do projecto Investigação Científica de Engermagem (ICE), com o apoio da iniciativa comunitário INTERREG III foi feita nos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias. Na região, ele percorreu as ilhas Terceira, São Miguel, Pico e Faial através de hospitais, centros de saúde e lares.
Assim, enquanto a média global foi de 14 por cada 100 habitantes com úlceras de pressão, nos Açores esses valores são de 9 por cada 100. Uma menor prevalência, porém, marcada por níveis mais profundos de feridas. Em entrevista à “a União”, a enfermeira contou como numa unidade médica em Stockom, na Suécia, foi reduzida a metade as úlceras por pressão num só ano. Uma melhoria na qualidade de vida foi possível, revela, à conta de “mais conhecimento, da criação de guide-lines e da utilização de metodologias e processos próprios para a prevenção das úlceras de pressão”.
3º patologia mais cara do mundo
“As úlceras por pressão estão entre a 3ª e a 4ª mais caras patologias do mundo”, informou a especialista sueca. Elas constituem um problema de saúde sério, pesando na mortalidade e morbilidade significativas, e igualmente uma preocupação económica dos serviços de saúde. Por isso, exemplifica, no sul da Suécia, “cada dólar aplicado na prevenção deste problema reverteu em 10 dólares de ganho em termos de saúde pública”.
A prevenção é a “palavra-chave”, assegura-nos Christina Lindohlm que afirma existir hoje em dia uma panóplia enorme de técnicas e artigos, desde colchões, almofadas e protecções de apoio e variados produtos que evitam a criação das chagas. O que interessa é que haja a redução e o alívio da pressão sobre as diferentes superfícies onde se encontra o doente imobilizado. “Tem de haver uma correcta prescrição deste equipamentos por parte dos médicos”, disse.
“É preciso dar mais informação ao pessoal médico e às famílias”, ressalvou. Outros das preocupações está no minorar do “estigma social que estas pessoas e as suas famílias sentem”, através do correcto acompanhamento junto dos serviços de saúde. No capítulo do aprofundamento formativo dos clínicos, a especialista chama a atenção para uma ferramenta “muito importante” e disponível na Internet: o “Puclas2”, um programa de treino para os profissionais saberem avaliar as úlceras de pressão. ___
Equipamento desapropriado causa úlceras por pressão
Cerca de 87 porcento das pessoas acamadas e 97% de pessoas imobilizadas em cadeiras de rodas não possui equipamento apropriado no Hospital de Angra do Heroísmo. Estes foram alguns dos dados revelados no Congresso Internacional que o director da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo (ESEnfAH), Luís Gomes quer chamar a atenção.
Isto porque, apesar dos baixos valores de prevalência da doença reflectiram o “sucesso das políticas dos cuidados de saúde regionais”, o enfermeiro alerta que a necessidade de informação e de prevenção desta patologia “é um problemas que temos que resolver”.
Ao todo, prossegue, são gastos 2,8 milhões de euros por ano no tratamento de úlceras de pressão naquela unidade. A estrutura familiar mais próxima do idoso – principal público das úlceras por pressão–, é um dos factores positivos nos baixos valores desta patologia, todavia, assegura, é preciso mais regularidade dos apoios prestados ao domicílio, por exemplo, mais equipamento apropriado, e acima de tudo, enfatiza, “um conhecimento mais aprofundado sobre as úlceras de pressão”.
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