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EM PONTA DELGADA - Hospital recebeu 55 casos de leptospirose em dois anos Domingo, 04.01.2007, 11:38am (GMT-1) O Hospital de Ponta Delgada recebeu, nos últimos dois anos, 55 doentes com leptospirose, uma doença contraída por contacto com urina de ratos, 11 dos quais tiveram de ser internados nos cuidados intensivos.
Nos Açores, esta doença, que atinge sobretudo agricultores, tem uma incidência dez vezes superior à verificada no Continente, com 11,1 casos por cada 100 mil habitantes, adiantou ontem a médica Manuela Henriques, do serviço de Medicina Interna do Hospital de Ponta Delgada. A médica falava numa palestra promovida pela Associação Agrícola de São Miguel destinada a informar os agricultores da ilha sobre a doença provocada pela bactéria leptospira. Segundo disse, em 2005 e 2006, o Hospital de Ponta Delgada admitiu um total de 55 doentes, 11 dos quais necessitaram de internamento nos cuidados intensivos, outros 22 foram para o serviço de medicina interna e os restantes para o serviço de doenças infecto- contagiosas. A médica alertou que a leptospirose poderá "assemelhar-se a uma simples gripe", o que exige das unidades de saúde um "elevado índice de suspeição" no seu diagnóstico. Dados revelados pelo responsável da área de doenças infecto- contagiosas do mesmo hospital indicam que este serviço acolheu, entre 1993 e Setembro de 2006, um total de 318 casos suspeitos, 120 dos quais com diagnóstico positivo da doença. Dos casos confirmados, cerca de 60 por cento eram lavradores e agricultores, a maioria dos quais com idades entre os 20 e 50 anos, explicou Melo Mota. Segundo o especialista, os médicos açorianos "estão alerta para este tipo de doença", ao mesmo tempo em que se está a "caminhar para diagnósticos rápidos", que permitam ter um resultado em 24 horas depois do doente ter chegado aos serviços de urgência. Melo Mota explicou que esta doença pode ser mortal "em pessoas com idade muito avançada" e em casos com patologias associadas que levam "à degradação" do doente. "Em circunstâncias normais, são raros os casos em que a morte acontece, visto que estamos alerta neste campo", afirmou Melo Mota. O responsável do serviço de doenças infecto-contagiosas do Hospital de Ponta Delgada assegurou ainda que o "tratamento é relativamente simples", uma vez que "todos os antibióticos, começando pela penicilina, são eficazes". De acordo com os médicos, a prevenção dos lavradores para esta doença passa, entre outras medidas, pelo uso de luvas e botas de borracha durante o seu trabalho e pela desratização. Com um período de incubação médio de 10 dias, os sinais da doença, que pode atingir vários órgãos, aparecem de forma abrupta, caso de febre, calafrios e fraqueza, entre outros sintomas. |
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