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Saúde
 

Estudo - Metabolismo infantil alterado nos Açores


Segunda-feira, 04.09.2007, 01:19pm (GMT-1)

Trata-se do culminar de cerca de cinco anos de estudo da condição física que cruza dados das crianças e jovens açorianos com os problemas da síndrome metabólica associados.
Cada vez mais, o sobrepeso, a obesidade são problemas que atingem as faixas etárias mais novas na sociedade açoriana. O alerta surge comprovado em livro.
Humberta Augusto

“Crescimento e Desenvolvimento de Crianças e Jovens Açorianos. O que Pais, Professores Pediatras e Nutricionistas Gostariam de Saber” – este é o nome do mais recente estudo lançado pela direcção regional do Desporto (DRD) e o Laboratório de Cineantropometria e Estatística Aplicada da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADE-UP).

Apresentado no passado fim-de-semana, a publicação congrega cinco anos de estudos.
Este estudo longitudinal–misto de crianças e jovens açorianos, da autoria de José Maia e Vitor Lopes, combinou todos os dados relativos à investigação sobre “Crescimento Somático, Maturação Biológica, Actividade Física, Aptidão Física e Motivação para a Prática Desportiva– Estudo Longitudinal Misto da Região Autónoma dos Açores com os valores e cartas de referência de medidas somáticas e testes motores e gestores do desporto, efectuando ainda a ligação da inactividade física, sobrepeso/obesidade e outros aspectos da síndrome metabólica.

Mais baixos
e gordos

Os resultados do índice de massa corporal (IMC) das crianças e jovens açorianas possuem um padrão idêntico ao de um qualquer país industrializado, aponta o estudo. Revelamos os dados, também, que existe uma forte variação intra e inter-individual ao longo da idade e entre sexos.
As prevalências de normo-ponderais, com sobrepeso e obesos são relativamente constantes ao longo dos 4 anos. Estas prevalências apontam para que cerca de 25%, ou mais, das crianças e jovens tenham, conjuntamente, sobrepeso e obesidade.

A propensão de crianças e jovens com sobrepeso e obesidade no início do estudo terem sobrepeso ou serem obesos 4-5 anos depois é cerca de 7-14 vezes superior ao de crianças e jovens que não são obesos, independentemente do seu sexo e níveis de actividade desportiva. Os valores do IMG dos açorianos são muito maiores que os dos seus colegas madeirenses, europeus e americanos, O mesmo ocorre para as prevalências de sobrepeso e obesidade dos açorianos — são sempre mais elevados.

É por isso que os resultados das pregas de adiposidade subcutânea, massa gorda e massa isenta de gordura das crianças e jovens açorianos revelam uma forte variação intra e inter-individual ao longo da idade e entre sexos. Na generalidade, estes valores são muito maiores que os dos seus colegas madeirenses, europeus e americanos.

Menos actividade
física juvenil

Verifica-se uma forte variabilidade na estabilidade dos valores de actividade física ao longo dos 5 anos de estudo nas crianças. Há uma redução dos valores de actividade física moderada, vigorosa e semanal ao longo dos anos. As meninas registam decréscimos mais acentuados.

Quanto à coordenação motora, há um aumento do desempenho coordenativo à medida que a idade aumenta, sem que haja evidência substancial para uma superioridade dos meninos. A estabilidade da coordenação motora é baixa, o que salienta a sua plasticidade aos estímulos providenciados pelas aulas de Educação e Expressão Físico-Motora no 1.º ciclo do ensino básico.

A medida global de desenvolvimento coordenativo permanece estável ao longo dos 4 anos de estado, sobretudo nos meninos. Nas meninas observa-se um decréscimo dos 7/8 para os 9/10 anos.
Há uma tendência notória para a menor capacidade de coordenação motora das crianças açorianas quando comparadas com colegas do continente, da Madeira, da Alemanha e do Perú.

No capítulo da aptidão física, na generalidade, os açorianos têm valores de desempenho motor que são esperados para a sua idade, com a evidência de um forte contraste entre os dois sexos, favorecendo os rapazes. Há uma tendência generalizada para as crianças e jovens mais activos serem, também os mais aptos.

Peso interfere no
desempenho motor

O incremento do IMC e da adiposidade subcutânea têm efeitos negativos no desempenho motor das crianças e jovens. As taxas de sucesso em todas as provas são baixas-a-moderadas. Com frequência são inferiores a 50%. Genericamente, as crianças e jovens que passam todas as provas no início do estudo tendem, 4-5 anos depois, a ter o mesmo sucesso. Este mesmo quadro é evidente para os que são inaptos.

O desempenho na prova da milha é inferior ao de outras crianças e jovens do país, bem como dos EUA. Do mesmo modo, as comparações dos níveis de aptidão física em todas as provas dos açorianos relativamente aos dos seus colegas do país e dos USA raras vezes lhes são favoráveis.

O estudo aponta ainda que os motivos que mais contribuem para a decisão das crianças e dos jovens açorianos praticarem desporto relaciona-se com a sua intenção de conhecer e estar com outras pessoas e de melhorar as suas competências físicas e desportivas. Foram evidentes algumas diferenças entre as respostas de crianças e jovens de diferentes idade e sexo, fundamentalmente em relação aos valores atribuídos a cada um dos tipos de motivos. Da comparação das suas respostas ao longo dos anos resulta a existência de alguma estabilidade na importância relativa assumida pelos diferentes motivos na decisão das crianças e dos jovens praticarem desporto.

Estudos inédito
há 12 anos

O primeiro estudo teve início em 1995 quando a DRD quando lançou os seguintes trabalhos: “Aptidão Física e Desporto Escolar. Estudo em Jovens dos dois sexos dos 13 anos aos 15 anos da RAA (1995); “Aptidão física e Actividade Física Habitual. Estudo Transversal em Adultos Jovens dos Dois Sexos da RAA (1996)”; “Efeitos dos Níveis de Actividade Física Habitual, Adiposidade e Tamanho Corporal na Aptidão Física. Um Estudo em Adultos dos Dois Sexos dos 39 aos 58 anos de Idade da RAA (1997); “Aptidão Física e Actividade Física Habitual. Estudo em Crianças e Jovens de Ambos os Sexos do 6º ao 12º ano de Escolaridade da Ilha Terceira” (2001).

A segunda fase “tem origem numa pesquisa inédita em Portugal ao estudar gémeos e seus progenitores em termos de aptidão física, actividade e inactividade física, sobrepeso e obesidade a partir do olhar da epidemiologia genética”, afirmam os autores, uma vez que a análise foi feita a gémeos e seus progenitores. Os dados resultaram na publicação: “Actividade Física e Aptidão Física Associada à Saúde: Um Estudo de Epidemiologia Genética em Gémeos e suas Famílias Realizado no Arquipélago dos Açores”.

A terceira fase estudou a partir de2002 as crianças do 1º ciclo, amostrando cerca de 25% do universo escolar de 8 das 9 ilhas: “Um Estudo do Crescimento Somático, Aptidão Física, Actividade Física e Capacidade de Coordenação Corporal de Crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico da RAA”.

O 4º Ciclo, tido como “o mais audacioso, inebriado de um ritmo nunca antes tentado no país pela extensão das variáveis em estudo”, efectuou uma abordagem longitudinal-mista da RAA em “Um Olhar sobre as crianças e Jovens da RAA: Implicações para a Educação Física, Desporto e Saúde de 2003”, seguindo-se o da “Estabilidade e Mudança no Crescimento e Desenvolvimento de Crianças e Jovens açorianos. Um Ano Depois” (2004); e finalmente “Crescimento, Desenvolvimento e Saúde. Três anos de Estudo” (2005-2006).

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