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Plano de ordenamento turístico nos Açores é fundamental Quarta-feira, 04.18.2007, 06:50pm (GMT-1) O secretário regional da Economia considerou, em Ponta Delgada, como absolutamente fundamental a existência nos Açores de um plano sectorial de ordenamento turístico que oriente e discipline a actividade turística açoriana.
Para Duarte Ponte, importa evitar que se registem crescimentos demasiado rápidos no sector do turismo que não sejam sustentados e que, por via disso, originem crises que poderão ter reflexos negativos na consolidação futura do turismo açoriano. O governante fez estas considerações num encontro no qual foi apresentado o Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA), que foi encomendado pelo Governo dos Açores e que tem por objectivo principal o desenvolvimento e afirmação de um sector turístico sustentável que garanta o desenvolvimento económico, a preservação do ambiente natural e humano e que contribua para o ordenamento do território insular e para a atenuação das disparidades entre os diversos espaços constitutivos da Região. O secretário regional da Economia, que se encontrava acompanhado pela directora regional do Turismo, Isabel Barata, entende que, em matéria da indústria turística, sem oferta não há procura e que o crescimento da oferta deve ser feito por forma a que o fenómeno da procura o possa, rapidamente, acompanhar, no sentido de todos os empresários do sector manterem os seus níveis de rentabilidade económica. É por essa razão, precisou Duarte Ponte, que os Açores necessitam de um plano estratégico para o sector, porque, se não houver regras, poderá acontecer que todos venham a sofrer com crescimentos não sustentáveis. Na ocasião, reafirmou que o turismo nos Açores tem crescido muito nos últimos anos, em termos de oferta e de dormidas, lembrando que, em 2000, a Região tinha cerca de quatro mil camas e que as dormidas rondavam o meio milhão, por ano. Hoje, os Açores mais do que duplicaram a oferta, registando-se, no ano passado, 1,2 milhões de dormidas. Para o ano em curso, o Governo Regional perspectiva um excelente crescimento do turismo, fazendo fé nas taxas de 27,3% e 17,1% registadas nos meses de Janeiro e Fevereiro, respectivamente. Duarte Ponte referiu, a propósito, que já há meses, nomeadamente os da chamada “época alta”, em que a procura não pode crescer mais porque a oferta também não está a crescer, embora nos restantes meses do ano o potencial de crescimento seja muito grande. O POTRAA, que, a partir do próximo dia 16 de Abril, ficará disponível para consulta pública, durante um período de 30 dias, antes de ser levado a Conselho de Governo, e, posteriormente, à aprovação da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, assume como cenário adoptado o modelo actual, em diversos âmbitos, reconhecendo, todavia, a necessidade de um maior controlo e regulação a exercer pelas entidades responsáveis no crescimento da oferta turística, bem como as vantagens da coexistência de outras formas alternativas de turismo. Num horizonte temporal até ao ano de 2015, o total projectado de camas existentes na Região será de 16.500 camas partindo de um crescimento médio anual da oferta da ordem dos 6%, e a que, eventualmente, se poderá juntar uma bolsa global correspondente a 10% do número de camas distribuído e projectado. O documento recomenda, também, algumas apostas estratégicas em termos de vocação turística de cada uma das ilhas, com produtos susceptíveis de serem alvo de uma maior centralidade da actividade turística, ou seja, que levem à criação de vários produtos temáticos. Assim, e para a ilha do Faial, a aposta estratégica relaciona-se com a náutica de recreio e com produtos vocacionados para o mar, baleias, vulcanismo e golfe; para o Pico, baleias e, ainda, vinha, queijo, montanha, vulcanismo e pedestrianismo; para S. Jorge, a aposta está na produção do queijo com produtos ligados às fajãs, pedestrianismo, desportos náuticos e festas do Espírito Santo; para a ilha Graciosa é o termalismo e, também, o vulcanismo, vinha, património edificado e desportos náuticos. No caso da ilha Terceira, a aposta centra-se no património edificado com produtos ligados à história e manifestações culturais, festas do Espírito Santo, touradas à corda, vulcanismo, vinha, golfe, náutica de recreio e gastronomia; em Santa Maria, praias e, ainda, gastronomia, golfe e desportos náuticos; para a ilha de S. Miguel, vulcanismo e termalismo, património edificado, história e manifestações culturais, náutica de recreio, golfe, desportos radicais, gastronomia, pedestrianismo e cruzeiros; para as Flores, diversidade paisagística e património natural, mergulho e pedestrianismo e para a ilha do Corvo a aposta é na vivência da comunidade local e no repouso. Outra das matérias recomendadas pelo POTRAA refere-se à definição de zonas de vocação turística em algumas das ilhas, tendo em linha de conta vários factores, como o clima e a paisagem, que poderão ser, potencialmente, aproveitados. Para a ilha Terceira foram definidas uma faixa entre Porto Martins e a baía da Salga, bem como a zona do Negrito; no Faial, a zona da Praia do Almoxarife e Pedro Miguel; em S. Miguel, a zona entre a Lagoa e Água de Pau; no Pico, a faixa entre S. João e a Silveira, e em S. Jorge, a faixa entre a Urzelina e Manadas. O Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores deverá entrar em vigor até ao final do corrente ano. |
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